Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

No 1º dia de júri, Carla Cepollina é expulsa do plenário

Acusada de matar coronel Ubiratan há 6 anos por ciúme, ela está sendo defendida pela mãe, que também foi repreendida por juiz

Adriana Ferraz, de O Estado de S. Paulo,

06 de novembro de 2012 | 02h02

SÃO PAULO - No primeiro dia do julgamento da morte do coronel Ubiratan Guimarães, a acusada Carla Cepollina, de 46 anos, acabou expulsa do plenário e sua mãe, Liliana Prinzivalli, advogada de defesa, chegou a ser impedida de se manifestar. O dia de trabalho, encerrado às 23h20, foi marcado pelo depoimento de 5h de apenas uma das testemunhas.

O crime ocorreu há seis anos. Carla é suspeita de ter dado um tiro no abdome do coronel, seu namorado na época, por ciúme. Se condenada, pode pegar de 12 a 30 anos de prisão - o resultado pode ser conhecido hoje.

Ontem, o clima esquentou no momento em que o delegado da Polícia Civil Marco Antonio Olivato, segunda testemunha a falar, estava no plenário. Por volta das 21h30, já repreendida várias vezes pelo juiz (por se dirigir diretamente aos jurados), Liliana deu a entender que havia sido chantageada por Olivato - delegado do caso na época.

Dias após o crime, armas não registradas foram encontradas na residência da mãe de Carla. Nessa época, segundo Liliana, Olivato teria dito a Carla: "Ou você confessa ou sua mãe vai presa (por porte ilegal de armas)".

O delegado negou a chantagem em plenário. Nessa hora, Carla se manifestou: "Falou, sim". Após dizer que a ré não poderia ter tido tal conduta, o juiz ordenou que ela se retirasse.

Cerca de 15 minutos depois, Liliana foi novamente advertida. "A senhora optou por um caminho: ser advogada, atuar na defesa de sua filha. Então, não poderá dar opiniões pessoais na defesa deste julgamento", disse o juiz. Não adiantou. Às 22h, durante uma pergunta, a advogada deu dados sobre a vida pessoal de uma empregada. "A partir de agora, só poderá se manifestar por meio de seu assistente", ordenou o juiz a Liliana.

Ela, porém, pediu desculpas, reconheceu que havia se excedido e foi liberada a perguntar novamente. Mas só de sua bancada.

Cabeça erguida. Impecavelmente produzida, Carla Cepollina, por sua vez, permaneceu as primeiras horas do julgamento de cabeça erguida. Sentada de frente para os jurados, não demonstrava nenhuma emoção. O comportamento mudou só a partir do depoimento do delegado Olivato, quando passou a fazer gestos negativos e a chamar a atenção da mãe.

O assistente de defesa, Eugenio Malavasi, ficou entre Carla e sua mãe. Na plateia, a irmã da ré, a também advogada Paula Cepollina, acompanhou os depoimentos sem fazer comentários ou lamentações. Aos repórteres, quis passar a mesma confiança. "Minha irmã não pode ser condenada. Não há provas", afirmou.

A decisão de família de unir mãe e filha no júri foi tratada com naturalidade pelos familiares. "Não há conflito. Defendi a Carla no processo de 1.ª instância e ela foi impronunciada. Depois, saí e aconteceu o júri."

Durante a oitiva das testemunhas, a acusação quis reforçar a tese de que o coronel Ubiratan foi morto no início da noite de sábado, dia 9, por um tiro disparado por Carla, classificada como violenta e possessiva. Do outro lado, a defesa tentou mostrar que laudos periciais indicam que a morte ocorreu no domingo de manhã, quando Carla já havia deixado o apartamento. A arma do crime, um revólver 38, que nunca foi achada, era do coronel.

Nos últimos seis anos, a advogada tem afirmado que é inocente e o coronel teria sido morto por envolvimento em um esquema de propina usado pela vítima durante a campanha eleitoral.

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