Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

No 1º dia, até carro do TJ queima faixa

Reportagem flagrou 5 veículos oficiais desrespeitando pedestres; em geral, marronzinhos não multaram todos os motoristas infratores

Renato Machado e Cida Alves, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

A promessa era de que todos os motoristas que não respeitassem os pedestres seriam multados desde ontem. Mas, na prática, não foi bem isso o que aconteceu. Enquanto um "marronzinho" multava um motorista infrator, em média outros quatro passavam sem sofrer consequências. Até carros do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) foram flagrados ignorando a lei.

Não pararam na faixa nenhum dos cinco carros oficiais do TJ que passaram pelo cruzamento sem semáforo das Ruas Conde do Pinhal e Glória, no centro, durante os 30 minutos em que a reportagem esteve no local. Em três das situações havia pedestres aguardando para atravessar.

Em outra, o carro não só deixou de dar preferência às pessoas a pé, como parou em cima da faixa para que um passageiro descesse do veículo. O quinto carro passou no momento em que não havia nenhuma pessoa esperando para atravessar.

A reportagem também esteve em outros cinco cruzamentos em que foram escalados agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para fiscalizar o respeito aos pedestres. Durante os 15 minutos em que permaneceu em cada local, houve 48 veículos avançando sobre a faixa de pedestres quando havia alguém atravessando. Mas os cinco "marronzinhos" informaram ter aplicado 11 multas no total.

Para identificar uma infração, o Estado usou os mesmos critérios ensinados pela CET a seus agentes para configurar que um pedestre está atravessando uma via: indicar a intenção de atravessar com o braço ou pisar sobre a faixa. Nesses casos, a orientação dada aos marronzinhos é de aplicar multa se o veículo não parar.

No cruzamento da Avenida Brigadeiro Luís Antônio com a Rua dos Ingleses, o marronzinho agiu exatamente como previsto e multou todos os infratores. A rua é mais tranquila, mas mesmo assim ele aplicou cinco multas - uma média de uma a cada três minutos. A reportagem registrou um total de nove infrações, mas as quatro de diferença aconteceram no momento em que o agente preenchia o extenso talonário de multa - em que precisa colocar corretamente placa, modelo do veículo, hora, local e código da infração.

Nos outros quatro locais, no entanto, os marronzinhos deixaram passar infrações. No cruzamento da Rua Quintino Bocaiuva com a Benjamim Constant, a reportagem flagrou 14 infrações, mas apenas uma foi registrada pelo marronzinho.

Um dos motivos para não autuar muitos motoristas é que ele mantinha o comportamento da época da campanha, preferindo parar o tráfego para as pessoas atravessarem, em vez de se ausentar e multar depois. Quadro parecido aconteceu na Rua Augusta com a Luís Coelho, também na região central. Foram 11 infrações registradas pela reportagem e apenas duas multas.

Em alguns cruzamentos, onde a CET prometeu que haveria fiscalização, foi constatada a ausência dos marronzinhos. Entre eles estão os cruzamentos das Ruas Senador Queiróz e 25 de Março, e da Rua Augusta com a Antônio Carlos.

Outro lado. Sobre os carros oficias que não respeitaram a preferência do pedestre, o Tribunal de Justiça informou que o setor responsável pelo transporte já foi comunicado do problema e será instaurado um procedimento para averiguar cada caso e as circunstâncias em que ocorreram. O órgão não quis estipular uma data para divulgar o resultado das apurações.

A CET explicou que os 154 agentes de trânsito escalados para fiscalizar os 78 cruzamentos das regiões central e da Avenida Paulista estão divididos em turnos e trabalham em escala de rodízio e por isso nem sempre estarão em todos os cruzamentos fiscalizados.

Sobre a postura dos agentes quanto às autuações, a CET disse que eles devem preencher de forma legível e completa todas as informações do auto de penalidade, antes de passar para a próxima autuação. Em caso de dúvida sobre a infração, todos os agentes são orientados a não efetivar a multa.

 

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