Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Nível do sistema Cantareira segue caindo e volta a bater pior marca

Volume armazenado pelo principal conjunto de represas que abastece a Grande São Paulo chegou a 14,1% nesta quarta

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

26 Março 2014 | 13h10

CAMPINAS - O nível dos reservatórios do Cantareira – principal fonte de água da Grande São Paulo – atingiu 14,1% de sua capacidade nesta quarta-feira, 26, faltando seis dias para o início do período considerado seco, que vai de abril a setembro. No período de chuvas, a precipitação foi a metade da prevista.

Sem previsão de mais chuvas, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) já corre para viabilizar o sistema de bombas que captarão água do fundo das represas, o chamado volume morto, ainda neste semestre.

Monitoramento do grupo anticrise criado pelo Estado e União para gerenciar o problema em São Paulo mostra que a quantidade média de água que entrou nas represas do sistema até ontem equivale a só 24% da média histórica esperada para março. O problema ainda reflete a falta de chuvas nas áreas dos rios e reservatórios entre outubro e fevereiro.

No período de setembro a março, as represas historicamente são recarregadas com as chuvas típicas, que nesse verão não ocorreram. Para o período, a média histórica esperada é de 1.261,7 mm acumulados. No mesmo período deste ano (até ontem), choveu o acumulado de 662,7 mm (52,5%).

Por isso, o sistema está hoje com 14,1% da capacidade, quando no mesmo dia do ano passado estava com 61,6%. Considerando apenas as quatro represas (Jaguari/Jacareí, Cachoeira e Atibainha) que fazem a retirada da água da bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), no interior paulista, o nível é ainda menor: 13,8%.

Além das obras para retirada do volume morto, de forma a compensar a perda do sistema durante a estiagem, a Sabesp ainda vai assumir os investimentos para o projeto de interligação entre a bacia do Rio Paraíba e o Sistema Cantareira, orçado inicialmente em R$ 500 milhões, segundo o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Edson Giriboni.

Conforme antecipou o Broadcast Político do Grupo Estado, ao contrário do informado durante o anúncio da medida – necessária para recuperar o Cantareira a médio prazo –, a concessionária será a responsável pelo montante, e não contará com a participação do governo paulista. Segundo o secretário, a Sabesp pagará pela totalidade dos investimentos e o governo "não estuda nenhum aporte".

Remanejamento. Outra medida para conter os problemas, o remanejamento de água, teve custo apresentado ontem. A Sabesp será obrigada a pagar até R$ 0,13 por metro cúbico de água captado da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. O anúncio foi feito por Giriboni, pelo presidente da Fundação Agência da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (FABHAT), Francisco José Toledo Piza, e pelo presidente da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT), Chico Brito. Por segundo, a Sabesp é autorizada a captar até 38 m³. Os recursos serão utilizados para financiar obras e programas na Bacia do Alto Tietê já a partir do ano que vem, explicou Piza. / COLABOROU GABRIELA VIEIRA

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