''Ninjas'' são 1º alvo do novo corregedor da PM

Coronel também assumiu Inquérito Policial Militar que investiga a morte do comandante da PM na zona norte José Hermínio Rodrigues, em 2008

Leandro Calixto e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

O coronel Admir Gervásio Moreira, de 57 anos, mal sentou na cadeira de Corregedor da Polícia Militar e tomou duas decisões: fechou o cerco ao grupo chamado Ninjas da PM, suspeito de 23 mortes na Baixada Santista, e assumiu a presidência do Inquérito Policial Militar (IPM) sobre a morte do coronel José Hermínio Rodrigues, assassinado em 2008 por policiais quando comandava a zona norte de São Paulo.

Gervásio passou o dia dando entrevistas - foram nove ontem. Descontraído, contou sua paixão pelo futebol. Não o dos estádios, mas o da várzea. "Sou mais varzeano, como se diz: "maloqueiro". E palmeirense", brincou. O sorriso fácil trai a fama de durão que ele conquistou na corporação. Pouco antes, o coronel contara que determinou que oito equipes do Patrulhamento Disciplinar Ostensivo desçam a Serra do Mar para fiscalizar os policiais da Baixada. Mandou ainda uma equipe do serviço reservado para lá. O objetivo é reforçar a vigilância sobre os homens do patrulhamento do litoral e se aproximar da tropa até que alguém delate os matadores.

Nessa tarefa, ele conta com a ajuda do recém-criado Centro de Inteligência da PM. O comandante do centro, o coronel Leônidas Pantaleão de Santana, presidirá o IPM da Baixada.

"A Baixada é uma das nossas prioridades e terá tratamento diferenciado." O comando quer elucidar tudo. A outra prioridade é a morte de Hermínio, Gervásio está avaliando procedimentos e informações do IPM. O atraso nessas apurações levou à queda do antecessor de Gervásio, o coronel Davi Rosolen.

Racismo. O novo corregedor disse que a corporação vai aproveitar a instrução continuada para pedir mais cautela aos policiais em casos envolvendo motoboys. Dois deles foram mortos por PMs em São Paulo. Em um dos casos - o do motoboy Alexandre Menezes dos Santos - os policiais foram ainda acusados de racismo - a vítima era negra.

Quando foi nomeado coronel, em 2008, Gervásio era o único negro entre 54 coronéis da PM. "Nunca sofri com racismo na PM. Graças a Deus." Católico, casado e pai de quatro filhos, o novo corregedor não se assusta com o aumento de pessoas mortas em tiroteios com PMs. "Os criminosos estão mais ousados." Gervásio diz que já perdeu a conta de quantos policiais bandidos mandou para a cadeia. "Mas todos com Justiça."

Motoboy

Os 12 PMs acusados de torturar até a morte Eduardo dos Santos, de 30 anos, foram soltos ontem. A corporação alega que acabou o período de 30 dias da prisão temporária e não houve renovação.

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