''Ninjas'' e coronel derrubam corregedor da PM

Apurações lentas sobre grupo de extermínio na Baixada Santista e morte de comandante da zona norte de SP desgastaram Davi Nelson Rosolen

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

Desgastado pela falta de resultados na investigação da atuação de um grupo de extermínio na Baixada Santista, o corregedor da PM, Davi Nelson Rosolen, foi afastado ontem do cargo. Ele não resistiu a mais um episódio envolvendo seu comando: o impasse em torno do Inquérito Policial Militar (IPM) da morte do coronel José Hermínio Rodrigues.

Rosolen será substituído pelo coronel Admir Gervásio Moreira (veja ao lado). O corregedor é o terceiro oficial afastado desde o começo da crise deflagrada pelo envolvimento de policiais em casos de violência - no dia 10, um tenente-coronel e um capitão perderam os cargos após quatro subordinados matarem o motoboy Alexandre dos Santos.

Além de Rosolen, outros oficiais devem deixar a Corregedoria. Entre eles está seu braço direito e colega de turma da Academia do Barro Branco, o tenente-coronel Mauro Passetti. Este teria se negado a assumir o IPM do caso Hermínio. O coronel foi morto em 2008 por PMs do grupo de extermínio Matadores do 18, quando comandava o patrulhamento da zona norte. Até agora o IPM não foi concluído.

E isso apesar do surgimento de provas sobre a ligação de policiais - incluindo um oficial - com a máfia dos caça-níqueis, bicheiros e escolas de samba. Passetti devia assumir o IPM com a missão de concluí-lo. Rosolen tentou defender o amigo, mas só provocou a própria queda.

Rosolen já estava desgastado por causa da falta de resultados práticos na investigação sobre as 22 mortes ocorridas entre 18 e 26 de abril na Baixada Santista. A Corregedoria não teria se empenhado na investigação dos crimes. Indícios revelados pelo Jornal da Tarde mostram que eles seriam obra de um grupo chamado Ninjas da PM.

Os policiais teriam jurado matar 50 pessoas para vingar a morte, em 18 de abril, do policial da Força Tática Paulo Rafael Pires. Descontente com a apuração do caso, o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, foi a Santos, reuniu no dia 13 de maio todos os coronéis da Baixada e exigiu a prisão dos culpados.

A queda do corregedor ocorre ainda em meio ao clima de crise causado pela sequência desastrosa de casos de violência policial, como as mortes dos motoboys Eduardo Pinheiro dos Santos, ocorrida na zona norte, e de Menezes dos Santos, na zona sul. Ao todo, 16 PMs foram presos nesses casos. Ontem, foi decretada pela Justiça a prisão do soldado Valdez Gonçalves dos Santos, acusado de assassinar um camelô na zona leste e suspeito de outros homicídios na região.

Mudanças. A saída de Rosolen obrigou o Comando Geral a rearranjar o preenchimento de cargos que ficariam vagos por causa da aposentadoria de quatro coronéis. O chefe da zona norte de São Paulo, coronel Airton Alves da Silva, que devia assumir a Diretoria de Pessoal, vai para a Academia do Barro Branco. Ele substituirá o coronel Wagner Cesar Gomes Tavares Pinto, que assumirá o CPM no lugar do coronel Gervásio, o novo corregedor.

Além da zona norte, o policiamento da região central de São Paulo terá novo comandante. Trata-se do tenente-coronel Renato Cerqueira, que será promovido a coronel.

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