''Ninguém quer viver no meio do fogo cruzado'', diz partideiro

ENTREVISTA - Tantinho, cantor e sambista do Morro da Mangueira

Fernando Paulino Neto, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2011 | 00h00

Devani Ferreira tem 64 anos e mora em Jacarepaguá. Cada vez que bota os pés na Mangueira, começa o zum-zum-zum, "hoje tem samba no morro, Tantinho está na área". A fama não é à toa. O mais talentoso cantor e "partideiro" - especialista no improviso do partido-alto, um tipo de samba - atual da Mangueira espera a volta da tranquilidade de tempos atrás, quando os bambas da Estação Primeira cantavam samba nas incontáveis tendinhas e biroscas do Morro.

Como era a Mangueira quando você morava lá?

Lá no morro sempre teve malandros, mas naquela época romântica era muito mais tranquilo. Agora é mais agitado.

O que fez você sair de lá?

Naquela época (início da década de 80) começaram a chegar uns caras estranhos. O malandro de fora não tem compromisso. Os caras eram agressivos e isso acabou com o clima.

Com a pacificação, o clima das tendinhas de rodas de samba pode voltar?

Vai trazer tranquilidade para os mais velhos e para as crianças brincarem. Ninguém quer viver em meio a fogo cruzado. Acho que vai melhorar.

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