‘Ninguém quer um abrigo ali’, afirma secretária

Moradores teriam feito abaixo-assinado contra equipamento; pasta de Assistência Social perdeu verba neste ano

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

22 Novembro 2014 | 03h00

A secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Luciana Temer, diz que os moradores de Santa Cecília têm resistência não só aos moradores de rua, mas aos equipamentos de acolhimento. “Todo mundo quer que a gente tire a população de rua. Ninguém quer um abrigo ali. Ninguém quer morar perto de um equipamento de acolhimento. Nós recebemos abaixo-assinado (de Santa Cecília), que não quer que o equipamento vá para lá. Um equipamento ali fechou por rejeição da região.”

Segundo Luciana, os moradores de rua tendem a ter um vínculo com determinadas partes da cidade e, por isso, acabam se concentrando ou voltando para algumas regiões - o que é levado em consideração quando algum abrigo vai ser instalado. “Não faço uma abertura aleatória dos espaços. Temos um mapa de onde a população de rua está concentrada.”

Verba pública. Entre o ano passado e este ano, houve uma redução do orçamento para a pasta da Assistência Social, que caiu de R$ 1.134.288.814 para R$ 1.058.972.312. Mas Luciana afirma que isso não interferiu nas ações da secretaria. “Essa redução do orçamento geral não impactou a população de rua. Abrimos mais 2 mil vagas. Em nenhum momento, essa perda significou restrição. A gente está enfrentando a questão com a seriedade que merece.”

Atuante nas causas da população de rua, o padre Julio Lancellotti critica as ações. “O que a gente sabe é que há uma onda de intolerância e violência. Há uma tentativa muito forte de desaparecer com essa população de rua, mas vamos continuar nas 30 cracolândias que existem pela cidade. Somos embaixadores do papa.”

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