'Ninguém quer pegar cargo público hoje em dia'

Acusado na ação, o ex-diretor do Museu da Casa Brasileira (MCB) Carlos Bratke nega irregularidades. Com mais de quatro décadas de carreira e cerca de 300 obras no currículo, ele é um dos mais renomados arquitetos paulistanos.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2012 | 02h04

Como o sr. soube que estava sendo acusado pela Promotoria?

Foi uma surpresa. Soube pelo jornal. É preciso esclarecer uma coisa: quando eu fui presidente do Museu da Casa Brasileira, entre 1992 e 1995, o museu estava a zero, praticamente sem conselho. Aí montamos o conselho. Mas era um grupo que não topava quase nada. Então comecei a me cercar de amigos arquitetos. Esse foi o embrião da Sociedade de Amigos do Museu da Casa Brasileira. Era um grupo que me dava apoio, porque o conselho me atrapalhava. Meu mandato como presidente do MCB terminou em 1995. Fiquei ainda alguns meses na Sociedade, mas minha carta de demissão também é de 1995.

Os eventos citados no processo são posteriores à sua saída. Por que o senhor é acusado?

Não consigo entender. Acho que o promotor está baseado em uma testemunha que ficou louca da vida porque eu e o Ricardo Ohtake (então diretor do MIS) quisemos mandar embora. Trata-se de Eleonora Fleury. Ela era funcionária pública e foi monitora do MIS e, depois, do MCB. O que ela fazia era brincar com as crianças quando as escolas faziam visita ao museu. Só isso. Mas brigava com todos os funcionários e não podíamos mandá-la embora, porque tinha costas quentes. O testemunho dela é totalmente emocional. Ela não tinha acesso à burocracia do museu, ficava longe dos escritórios - seu depoimento não deveria nem ser levado em conta pelo Ministério Público.

De que maneira o bloqueio dos bens o prejudica atualmente?

Por enquanto, não prejudica em nada, já que eu não estou vendendo nem comprando nada. Não estou preocupado.

E como se sente no aspecto pessoal? Desmotivado a ocupar qualquer cargo público novamente. Muitas das manifestações que estou recebendo são nesse sentido: ninguém quer pegar cargo público porque só tem pepino, só acontece problema. Na Fundação Bienal, por exemplo, da qual sou conselheiro, vai ser difícil arrumar novo presidente. / E.V. e R.B.

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