Ninguém foi preso este ano em três distritos policiais

Freguesia do Ó, Campo Grande e Vila Matilde zeraram em prisão por mandato judicial; população reclama de atendimento

Artur Rodrigues e Luciano Bottini Filho,

09 Junho 2013 | 23h00

Três delegacias de São Paulo zeraram quando o assunto é prisão por mandado judicial. Os distritos são da Freguesia do Ó (28.º), na zona norte, de Campo Grande (99.º), zona sul, e da Vila Matilde (21.º), na zona leste.

No bairro da região leste, o problema são roubos de carro. E não é de hoje. Nos últimos dez anos, a aposentada Terezinha Oliveira, de 72 anos, contabiliza três parentes que tiveram o carro roubado em frente à casa dela. O endereço de Terezinha é visado. Na região, a Rua Dona Escolástica Melchert é conhecida como "a rua dos roubos de carro". "Faz um pouco mais de um mês, um ladrão encostou na minha filha que estava chegando e roubou o carro dela."

Não é preciso andar muito para encontrar mais vítimas. A uma quadra da casa dela, o analista de sistemas Elias Aparecido Soares, de 46 anos, teve o Siena levado por um bandido. "Fui à delegacia e senti que a polícia não foi atrás do cara. Na mesma semana, teve outros casos na rua. É uma quadrilha agindo."

O aposentado Sérgio Roberto de Souza, de 50 anos, reclama do atendimento no distrito da área. "Quando você vai lá registrar uma ocorrência, mandam fazer tudo na internet. No batalhão da PM, ali do lado, o pessoal resolve na hora."

O delegado titular do distrito, Mario Moretti Filho, justifica a falta de prisões por mandado citando a negativa dos juízes aos pedidos. De acordo com ele, também há vários casos de investigação que resultam em prisões em flagrante.

O delegado titular do 99.º DP, Valter Bossoli, desconhecia que a delegacia estava registrada com nenhuma prisão por mandado nas estatísticas. "O mandado é expedido para ser cumprido na área que a pessoa mora e a nossa região tem uma boa vizinhança", afirma o delegado, que faz cobertura de uma área que inclui os shoppings SP Market e Interlagos, o santuário do padre Marcelo Rossi e uma faculdade do Senac.

Novo endereço. Segundo o chefe dos investigadores do DP, Júlio César Fenze, houve três mandados cumpridos não incluídos nos dados da secretaria: um em março e dois em abril. Apenas um desses presos foi conduzido por policiais civis – um homem acusado de pedofilia. "Em muitos mandados que chegam para a gente, a pessoa já não mora no endereço", diz Fenze, diante de sete pedidos de prisão não cumpridos que serão devolvidos para a Justiça.

Na Freguesia do Ó, moradores se queixam do número de assaltos a pedestres. Comerciantes da Avenida Itaberaba, a mesma do 28.º DP, afirmam que o perigo é ficar de noite esperando no ponto de ônibus.

O delegado Nicola Romanini nega que o 28.º DP tenha índice zero de prisão. De acordo com ele, pelo menos três homens foram presos por mandado este ano. Um dos casos, segundo ele, foi o de um homem que tentou matar outro dentro de um hospital.

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