Ninguém consegue explicar o apagão

Empresa pede 3 dias para dizer o que causou blecaute anteontem nas zonas sul e oeste

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2011 | 00h00

Concessionária privada de transmissão de energia elétrica responsável pelo apagão que afetou 700 mil pessoas anteontem em São Paulo, a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) não consegue explicar a causa da interrupção no fornecimento de luz e pediu pelo menos três dias para justificá-la à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Segundo o diretor de Operações da CTEEP, Celso Cerchiari, o defeito no sistema de proteção da Subestação Milton Fornasaro, no Jaguaré, zona oeste, não ocorreu por causa de fenômenos naturais, como vento, chuva ou raio. Ao constatar a falha, o fornecimento de energia foi automaticamente interrompido. O blecaute ocorreu no início da noite de anteontem nas zonas sul e oeste.

"Não houve curto-circuito, descarga atmosférica, tampouco dano de equipamento. Daí nos leva a um problema intrínseco no sistema de proteção. Estamos checando cada via de comando, e são dezenas, para que a gente possa identificar o ponto que acionou essa proteção", diz o diretor da CTEEP, sem dar um prazo para a identificação da causa do apagão. "Para não interromper a transmissão, só trabalhamos de madrugada, sem desligar a subestação. Pretendemos concluir o trabalho no início da próxima semana."

A sucessão de apagões em São Paulo gerou duras críticas do governo paulista. "Não é possível São Paulo, a quarta maior metrópole do mundo, ficar horas sem energia elétrica", afirmou o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que semanas atrás anunciou multa à Eletropaulo em razão do apagão de junho.

Para o secretário de Estado de Energia, José Aníbal, falta investimento. "Não precisa ser especialista para concluir isso. Tanto quanto a Eletropaulo, essa empresa passa por um processo de desinvestimento e de prioridade da gestão financeira sobre a prestação de serviços", criticou. "Não chovia nem relampejava. Isso é assustador."

No caso das transportadoras de energia elétrica, a fiscalização das empresas cabe exclusivamente à Aneel, diferentemente do que ocorre com distribuidoras como a Eletropaulo, cuja fiscalização é compartilhada entre as agências reguladoras federal (Aneel) e estadual (Arsesp).

Multa. A Aneel informou que se reunirá em até 15 dias com o Operador Nacional do Sistema e concessionárias envolvidas no fornecimento de energia para avaliar o apagão de anteontem. Se a responsabilidade da CTEEP for comprovada, a empresa pode ser multada em até 2% do faturamento, ou R$ 44 milhões.

Segundo um engenheiro especializado em infraestrutura do mercado de fornecimento de energia, que pediu anonimato, o grande problema é a falta de fiscalização das agências reguladoras, o que tem relação direta com os constantes apagões. Neste ano, foram três grandes blecautes na cidade - dois relacionados à CTEEP (transmissão) e um à Eletropaulo (distribuição). "Um incidente pode ocorrer, mas não com essa frequência."

Na outra queda de energia de responsabilidade da CTEEP neste ano, que ocorreu em fevereiro na Subestação Bandeirante, zona sul, a concessionária não recebeu multa. Segundo a Aneel, fiscais concluíram que não era caso de multa. / COLABOROU JAIR ACEITUNO

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