Ninguém bate a Beija-Flor na 1ª noite

Campeã de 2011 se superou, com carros luxuosos e emocionante homenagem a Joãosinho Trinta; escolas tradicionais tiveram problemas

RIO, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2012 | 03h02

Competência e técnica apurada não resumem o desfile da Beija-Flor, no fim da madrugada de ontem, no sambódromo do Rio. A harmonia das alas, a escolha das cores das fantasias e o luxo das alegorias credenciam a escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense, ao bicampeonato do carnaval carioca. Com um enredo sobre São Luís, no Maranhão, que comemora 400 anos em 2012, a Beija-Flor se destacou no primeiro dia dos desfiles do Grupo Especial e emocionou o público ao homenagear Joãosinho Trinta, carnavalesco responsável por apresentações históricas, incluindo algumas pela própria escola, e que morreu em dezembro.

Joãosinho "surgiu" na última alegoria, com os braços esticados - uma referência ao carro "Cristo mendigo", do desfile da Beija-Flor em 1989, que saiu na Sapucaí envolto por um plástico preto, após a Justiça proibir a exibição da imagem. A enorme escultura do carnavalesco estava cercada por foliões que se passavam por mendigos. "Ele foi o grande gênio do carnaval carioca", disse o intérprete da escola, Neguinho da Beija-Flor.

Na torcida. As outras agremiações de tradição que se apresentaram na primeira noite, Portela, Imperatriz, Mocidade Independente e Vila Isabel, vão ter de contar com uma improvável combinação de notas dos julgadores para ameaçar a Beija-Flor.

A apuração do Grupo Especial será realizada amanhã, após o segundo dia de desfiles. A estreante no grupo de elite, a Renascer de Jacarepaguá, e a Porto da Pedra vão ficar na torcida para não sofrer rebaixamento. Neste ano, duas escolas caem.

A Renascer abriu o carnaval e teve uma série de problemas técnicos com suas alegorias. Já a Porto da Pedra, cujo enredo tratava do iogurte - numa relação direta com a empresa que a patrocinou -, passou sem nenhum brilho pela Marquês de Sapucaí. Quase ninguém a aplaudiu e poucas pessoas dançaram nas arquibancadas durante o desfile.

Se a Portela, segunda a desfilar, conseguiu a proeza de criar um dos sambas-enredo mais bonitos do ano para enaltecer a Bahia, deixou a desejar em fantasias e carros alegóricos. Depois, veio a Imperatriz, que lembrava os 100 anos de nascimento do escritor Jorge Amado. A escola sofreu com problemas nos carros, fechou o desfile em cima do tempo e pode perder pontos em evolução.

Na sequência, a Mocidade contou a história de Candido Portinari e também acabou vítima de problemas técnicos. O abre-alas, por exemplo, ficou preso numa grade lateral, o que deixou os componentes da escola em desespero.

Já o samba e a comissão de frente foram os trunfos da Vila Isabel, a escola que encerrou a festa, com enredo sobre Angola. Mas a agremiação da zona norte teve falhas no quesito evolução e deve ser penalizada. / SILVIO BARSETTI, ALEXANDRE RODRIGUES, FÁBIO GRELLET, MÔNICA CIARELLI, CLARISSA THOMÉ, ROBERTA PENNAFORT e LUCIANA NUNES LEAL

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