José Patricio/AE
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Nigerianos montam cassino na 24 de Maio

Jogos de cartas ocorrem no 3º andar de prédio comercial do centro e lojistas dizem que a atividade acontece no local há 2 anos

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2011 | 00h00

Nigerianos transformaram salas da galeria de lojas Centro Comercial Presidente, na Rua 24 de Maio, centro de São Paulo, em um cassino improvisado. Os africanos jogam cartas apostando dólares e euros. A reportagem flagrou o jogo no terceiro andar.

Lojistas, que pediram para não ser identificados, disseram que os jogos de azar funcionam no local há cerca de dois anos. Comerciantes afirmaram que os nigerianos tomaram conta do centro comercial e o comportamento deles, principalmente as brigas, afasta consumidores, que se sentem intimidados.

A galeria cheira a maconha e está decadente. O local tem problemas de infraestrutura, como parte da escada rolante que não está funcionando.

As rodadas de jogos acontecem nas salas 38 e 39. No andar de baixo funciona um bar improvisado. A jogatina começa por volta das 18h30 e se estende mesmo depois que a galeria fecha, às 19h30. "Já vi jogo até as 23h e sempre tem dinheiro estrangeiro", reclamou um comerciante.

As janelas da sala foram escurecidas com insulfilm, mas foi possível vê-los jogando porque estavam abertas. A reportagem observou o cassino por dois dias. "Essa jogatina mostra como eles não têm medo de ninguém", reclamou uma lojista.

A reportagem esteve na loja para conversar com o responsável pelo local, mas os nigerianos que estavam lá disseram que não entendiam português. Um lojista ameaçou: "Aqui não funciona cassino nenhum, tem de provar. Vamos processar quem tentar nos prejudicar."

Medo. O proprietário das duas salas que funcionam como cassino não quis se identificar. "Tenho medo", justificou. Disse que alugou as duas unidades por R$ 500 ao mês. "Há algum tempo fiquei sabendo da jogatina. Estou entrando com uma ação para retirá-los de lá."

Ele se defende dizendo que praticamente foi obrigado a alugar os espaços para os nigerianos. "Eles ocuparam todos os comércios próximos. Ninguém mais quis alugar essas unidades e, como estavam fechadas há 4 anos, tive de me render e alugar. Quando ficaram fechadas tive um prejuízo de R$ 25 mil."

O síndico do condomínio, Giovanni Morassi, disse que quando soube da jogatina intimou e multou o proprietário da loja. "Os nigerianos tiveram uma briga séria lá dentro e quebraram as janelas." Segundo ele, os funcionários do condomínio denunciaram o cassino ao Disque Denúncia. "Mas não tivemos resposta." Ele garante que a Polícia Militar já foi acionada para apartar brigas na galeria, mas quando chegou a confusão tinha acabado.

Multa. A Secretaria da Segurança Pública foi procurada para comentar o assunto, mas não retornou as ligações. A Polícia Federal disse que está apurando as denúncias.

Jogos de azar são contravenção penal. A pena é de três meses a um ano e multa. "Mas é o que chamamos de prisão simples, que não leva para o sistema carcerário", explica o advogado criminalista Leonardo Pantaleão. Nesse caso, por exemplo, podem ser aplicadas penas alternativas.

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