New Order resgata os 'incríveis anos dourados da aviação'

Grife propôs uso inusitado para objetos utilizados em aviões; atrizes prestigiaram a Maria Bonita Extra

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2012 | 03h02

A viagem da New Order para o próximo inverno é literal: a marca, única do Fashion Rio a se dedicar a acessórios, atribuiu usos inusitados a objetos utilizados em aviões: o travesseiro virou bolsa; o mapa da cidade-destino, nécessaire; o pin das companhias aéreas, broche de uso do cotidiano. O clima era dos anos 60, a Pan Air em seus dias de glória, e as peças tinham toques fluorescentes, referência à sinalização das pistas dos aeroportos.

O cliente da New Order gosta dessas ousadias. A plateia se divertiu com a bolsa-livro, carregada como carteira, e a que reproduz as bandejas de avião e as embalagens de comida, com o estojo no formato de uma nota de dinheiro, a estampa de raio X, que revela o conteúdo, o chapéu alusivo ao coque das aeromoças. Seus sapatos foram adaptados para as ruas: viraram scarpins de bico quadrado, de verniz e neoprene.

Pernas de fora, silhuetas marcadas, saias estruturadas, balonês, tricôs, chemisiers, muita organza, seda e tafetá texturizados. A Maria Bonita Extra, marca das mais aguardadas em todo Fashion Rio, chegou à maioridade trazendo uma coleção forte, de vermelhos, azuis e verdes, mas também de tons clarinhos. Foi outra que se voltou aos anos dourados. Lotado como poucos, o desfile foi prestigiado por atrizes que vestem a marca, como Maria Ribeiro, Larissa Maciel e Tainá Müller.

A Espaço Fashion também respirou ares antigos: foi ao Rio da Cinédia, do art déco. O calçadão de pedras portuguesas da orla carioca foi desconstruído nas estampas, não só em preto e branco, mas também em coral, cinza, azul e rosados. Não é um inverno rigoroso, mas de shortinhos e vestidinhos de musseline e seda.

Balé. A grife Bianca Marques abriu os desfiles de ontem com a inspiração na leveza da bailarina Ana Botafogo.

A estilista, que fez sua estreia, chamou a bailarina para abrir os trabalhos (de tutu e sapatilha de ponta) e fechar (com uma peça da coleção) a apresentação, que reproduziu a leveza do universo do balé nos materiais, clima e estampas (de cisnes e flores).

A última a desfilar foi a Coca-Cola Clothing, grife da empresa de refrigerantes. A marca mirou o futuro, usou tecidos tecnológicos e os tons metalizados dos uniformes de astronautas. O cenário era futurista e as cores fluorescentes predominaram.

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