Neto dá a mão para a avó e corre para atravessar

De mãos dadas para o neto, que corrige a postura torta da avó ao se inclinar para frente para, assim, conseguir correr ao atravessar a rua, a dona de casa Francisca Leite, de 76 anos, reclama principalmente do curto tempo que os semáforos ficam abertos para a travessia.

O Estado de S.Paulo

16 Março 2012 | 03h07

Colecionando tropeços e uma queda na rua, ao descer do ônibus, Francisca diz que a cidade não é preparada para garantir que ela caminhe na rua em segurança. "Eu tenho de pegar na mão dela, corrigir a postura e ter paciência, afinal ela caminha devagar, no ritmo dela", afirma o neto, Bruno Leite de Silva, de 23 anos.

Já o comerciante Ângelo Alceu, de 65 anos, diz que a idade ainda não pesou no que se refere a caminhar. "Procuro ser ativo, percorro a cidade toda. Se precisar dar um pique para atravessar a rua, consigo. Tranquilamente. Mas muita gente mais velha, sem contar cadeirantes, deficientes, não é assim."

As duas entrevistas foram feitas na frente da Estação Armênia do Metrô, em um cruzamento da Avenida Tiradentes, que liga o centro à zona norte. Lá, assim como na Avenida Jabaquara, onde foi desenvolvido o estudo da CET, as guias nos cruzamentos são adaptadas, com os cantos suavizados, há iluminação para as faixas de pedestres e o semáforo permite a travessia até de quem caminha mais devagar.

Mesmo assim, não falta gente que veja pontos a serem melhorados. "Aqui as coisas até estão em ordem. Mas há muitos cantos na cidade que a gente sabe que não deve andar, porque as calçadas são curtas, todas esburacadas e a gente tropeça", diz o pedreiro Antônio Pereira Neto, de 71 anos. Ele lembra que há outros pontos a serem considerados, como a saúde mais frágil de quem já está na terceira idade.

"Outro dia, eu ia atravessar a rua e, do nada, foi ficando tudo escuro e eu fiquei tonto. Eu fui me agachando, no meio da rua, para não cair", conta Pereira, ao lembrar de uma queda de pressão ocorrida há meses. / B.R.

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