Nem PM nas ruas garante aulas na Chatuba

Escolas e posto de saúde não funcionaram ontem no bairro onde agiam traficantes acusados de chacina

HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2012 | 03h02

Um dia após a Polícia Militar ocupar o bairro da Chatuba, em Mesquita, Baixada Fluminense, a rotina dos moradores ainda não havia voltado à normalidade. Nove escolas - incluindo creches - permaneceram fechadas por precaução; 3 mil alunos ficaram sem aula. Posto de saúde vizinho ao destacamento da PM exibia cartaz alegando a razão do fechamento: "Hoje não terá atendimento por motivo de segurança".

Em pontos do bairro quase não se via movimento, mas o comércio reabriu na maioria das ruas e a circulação de carros de som fazendo propaganda eleitoral era grande. O Ciep Nelson Cavaquinho funcionou normalmente, mas muitos alunos faltaram às aulas.

Emancipado de Nova Iguaçu em 1999, Mesquita é o mais novo município da Baixada Fluminense. Os moradores do bairro em que os seis jovens foram mortos estão acostumados ao movimento de criminosos. "Eles ficavam pela rua com arma na mão, fazendo gracinha. Aqui sempre teve muito movimento de tráfico", afirmou um morador, que não quis ser identificado.

Ainda assim, o assassinato dos jovens, de um pastor e de um cadete da PM em apenas um dia destoa das curvas estatísticas. Nos primeiros sete meses do ano, 34 homicídios dolosos (com intenção de matar) e latrocínios (roubo seguido de morte) foram registrados na delegacia de Mesquita - média de 5 mortes mensais para toda a cidade. De janeiro a julho de 2011, foram 38.

Dos 92 municípios fluminenses, Mesquita tem o 13.º pior resultado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) - média de 4,1, ante a média estadual, de 5,1. Nas cinco escolas da Chatuba, o resultado fica abaixo da média da cidade.

A prefeitura informa que 98% das ruas foram "drenadas, pavimentadas e saneadas no bairro". E o tratamento de esgoto alcança todas as casas do bairro. A coleta de lixo ocorre "de duas a três vezes por semana". "É só olhar em volta para ver a beleza desse bairro", ironiza uma comerciante. "Aqui só se vê lixo, rato e obra que começa e não termina."

O Rio Sarapuí, que sinaliza o limite entre os municípios de Mesquita e Nilópolis, virou esgoto a céu aberto. Nas duas margens, só se veem casas semidemolidas. "Já pedimos para canalizar o valão, mas ninguém toma providências. Em época de chuva isso aqui fica cheio de água parada", reclama a comerciante.

Do outro lado do rio, em Nilópolis, uma placa anuncia o investimento de R$ 616 mil na construção de uma escola de educação infantil. Embora prevista para ficar pronta no começo de 2013, não há sinal de obra no local.

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