Nem multa de R$ 12 mil evita descarte de entulho

Locais usados irregularmente para depósito de lixo, como pontos do Bom Retiro e da Vila Prudente, continuam a receber restos que entopem bueiros

DIEGO ZANCHETTA , RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2011 | 03h03

Em uma esquina abarrotada de entulhos na Vila Prudente, na zona leste, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) anunciou, em 27 de julho de 2010, que a multa para quem descartasse restos de materiais em via pública saltaria de R$ 500 para R$ 12 mil. Esse mesmo ponto deve voltar a alagar nos próximos meses, na temporada de chuvas. Isso porque a área continua cheia de tijolos, areia, móveis velhos e lixo, entre outros detritos.

O novo valor da infração não inibiu comerciantes e moradores de jogarem restos na esquina da Avenida Doutor Francisco Mesquita com a Rua Vila Prudente, onde Kassab anunciou a multa. O mesmo se verifica em outros locais: são pontos viciados já mapeados pela Prefeitura desde 2009.

Um deles fica do lado de um ecoponto - os espaços com caçambas reservados pela Prefeitura para colocar entulho. No Ipiranga, na zona sul, do lado do Ecoponto Teresa Cristina, em uma esquina da Avenida do Estado, montanhas de restos de construção são deixadas bem do lado das caçambas da Prefeitura. Apesar de a Guarda Civil Metropolitana (GCM) já ter prendido três pessoas em flagrante jogando entulho no local, os descartes continuam diariamente - e durante a madrugada, segundo vizinhos.

"É por isso que essa rua sempre alaga com qualquer chuva. São caminhões que jogam à noite e fogem pela Avenida do Estado", diz a dona de casa Gloria Monteiro da Costa, de 64 anos. Até o canteiro da Avenida do Estado, no trecho entre o Ipiranga e a Vila Prudente, é usado por caçambeiros clandestinos.

No bairro do Bom Retiro, na região central, quase na várzea do Rio Tietê, o entulho está nas mesmas esquinas que ficaram submersas nas enchentes de fevereiro deste ano e de dezembro de 2009. Na Rua Sólon com o Viaduto Rudge, pilhas de sacos com sobras de tecido e telhas velhas estão espalhadas por quase 80 metros na calçada.

"Os sacos de lixo das lojas também são colocados nas calçadas logo que o comércio fecha, às 18h, mas o caminhão da coleta passa só de madrugada. Na época das chuvas vai tudo para o bueiro antes de o caminhão do lixo passar", reclama Oswaldo Marchetti Neto, de 52 anos, dono de uma barbearia.

Outro bairro do centro que costuma alagar, o Cambuci também sofre com o descarte irregular de entulho. Moradores relatam que caçambeiros aproveitam as esquinas escuras e desertas do bairro para jogar lixo.

Autuação tardia. Apesar de a multa de R$ 12 mil ter entrado em vigor em 2010, o governo municipal afirma que a Guarda Civil Metropolitana só iniciou as blitze no dia 6 deste mês. A corporação aplicou nas últimas três semanas 72 notificações de multas que variam de R$ 500 a R$ 12 mil.

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