Nelson Pereira e Graciliano, relação nascida por acaso

Graciliano Ramos entrou na vida do cineasta Nelson Pereira dos Santos por acaso e ficou para sempre ligado a seu nome pela adaptação de Vidas Secas e Memórias do Cárcere. O diretor participou na noite de sexta de uma conversa com a cantora Miúcha, sua roteirista em dois filmes, na Flip. E contou que a transposição de Vidas Secas só foi possível porque ele não tinha propriamente um roteiro pronto quando recebeu a encomenda de um filme sobre a aridez do Nordeste. "Foi em 1958, quando trabalhava como jornalista, e, ao chegar em Juazeiro, na Bahia, fiquei tão impressionado com a situação dos flagelados, que pareciam confinados de um campo de concentração, que comecei a escrever um roteiro, tão superficial como um trabalho de foca."

O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h08

Foi nesse momento que apareceu a tábua de salvação, o livro de Graciliano Ramos. "Mas eis que, ao chegar em Juazeiro, começou a chover e ficou tudo tão verdinho que não tive outra escolha além de filmar Mandacaru Vermelho, que inventei do nada e foi filmado sem atores profissionais." Miúcha fez o roteiro de Raízes do Brasil e trabalhou com o cineasta nos dois documentários dedicados a Tom Jobim. "Ele nunca foi de seguir roteiros e todos ficaram surpresos quando ele decidiu fazer um filme só com as músicas do Tom", disse. / ANTONIO GONÇALVES FILHO

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