Neil Young não cantou. Mas empolgou o público

Cantor falou sobre experiências sustentáveis, como a transformação de um velho carro em um 'elétrico-híbrido'

PAULÍNIA, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2011 | 03h01

Com Bob Dylan e Leonard Cohen, o canadense Neil Young integra a santíssima trindade do rock intelectual americano, e não raro é atribuída a ele a invenção do punk rock ou do grunge. Ontem, em Paulínia, comemorando 66 anos na abertura do festival SWU, Young teve uma surpresa em seus 50 anos de estrada: um coral e uma orquestrinha de garotos do Projeto Guri, de crianças carentes de São Paulo, o recepcionaram com um sonoro Parabéns a Você.

Depois de tocar uma versão instrumental de Hey Hey My My, hit de Young, a orquestra e o coral entoaram o Parabéns a Você. Logo depois, quando as cortinas já estavam fechadas, o cantor pediu que as abrissem novamente. "Muito antes de eu ter nascido, muito antes de vocês terem nascido, muito antes de o Brasil ter nascido, a Terra nasceu", disse, e pediu para que a orquestra e a plateia cantassem um Parabéns à Terra, no que foi obedecido.

O discurso de Young teve sabor de confronto geracional. "Sou uma pessoa mais velha, tenho péssimos hábitos. Não me ouçam, não ouçam os seus pais. Ouça a você mesmo, ao seu coração. Você é parte do planeta e é sua responsabilidade tomar conta de você e de todas as pessoas que você ama", disse. "Quando eu tinha a idade de vocês, eu não tinha consciência sobre o que estava acontecendo no mundo. Nós e o SWU estamos aqui justamente para despertá-los sobre a importância dessas questões."

Engajado desde o início da carreira em causas nobres, como o fim das guerras e o meio ambiente, Young não está no Brasil para cantar. Veio para falar. Ele reconstruiu um Lincoln Continental Mark IV de 1959 e o transformou em um carro elétrico-híbrido que, movido a biodiesel, atinge até 160 km por tanque.

Sacolas. A manhã foi aberta pelo criador do festival, Eduardo Fischer - ele afirmou que a edição 2012 deve ser confirmada em breve -, e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). / J.M.

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