Negociação salarial para após acidente

Ontem à noite, porém, metroviários em assembleia decidiam se vão entrar em greve

O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2012 | 07h49

O acidente de ontem aconteceu no dia em que o Metrô de São Paulo rejeitou a reivindicação salarial apresentada pelo Sindicato dos Metroviários. A categoria ameaça entrar em estado de greve. O sindicato exige reajuste salarial de 5,13% e aumento real de 14,99% (ganhos acima da inflação). A companhia, segundo o sindicato, ofereceu 4,15% de reajuste. As negociações foram interrompidas por causa da colisão entre duas composições na Linha 3-Vermelha.

A ocorrência, no entanto, não encerrou o movimento dos trabalhadores. Ontem à noite, metroviários ainda decidiam se parariam ou não. A categoria estava reunida, em assembleia, até as 20 horas na sede do sindicato, no Tatuapé, zona leste, para votar o indicativo de greve, em rejeição à proposta salarial oferecida pelo Metrô.

O movimento por reajuste de salários não ocorre apenas na capital paulista. Em Belo Horizonte, a greve entra hoje no quarto dia. Ontem, porém, a realização de escala mínima determinada pela Justiça e a opção de parte dos passageiros por outros meios de transporte ajudaram a reduzir drasticamente o caos registrado na segunda-feira, primeiro dia de paralisação, quando nenhum trem saiu dos pátios.

O metrô de Belo Horizonte transporta 215 mil pessoas em dias normais. Na manhã de ontem, porém, segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), aproximadamente 57 mil pessoas passaram pelas 19 estações de Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana. A escala mínima foi determinada ainda na segunda-feira pela Justiça do Trabalho, que estipulou multa de R$ 30 mil em caso de descumprimento.

Os trabalhadores do metrô de Belo Horizonte reivindicam reajuste de 5,74%, plano de saúde integral, participação nos lucros e resultados (PLR) e adicional noturno de 50%. A CBTU não fez contraproposta e, por meio de nota, informou que está em negociação para um acordo coletivo.

Recife. A greve dos funcionários do metrô do Recife, iniciada anteontem, não tem prejudicado os usuários.

A categoria decidiu que trabalharia normalmente nos horários de pico - das 5 horas às 8h30 e das 16h30 às 20 horas. No período sem funcionamento, os trechos são cobertos por ônibus.

A estimativa é de que 80% dos 280 mil usuários diários tenham sido atendidos. De acordo com o sindicato da categoria, a estratégia é não prejudicar a população. Os funcionários do metrô de João Pessoa, que faz a linha João Pessoa/Cabedelo, também paralisaram e por reivindicação de reajuste salarial. Ambos são gerenciados pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). / BRUNO RIBEIRO, CAMILA BRUNELLI, MARCELO PORTELA e ANGELA LACERDA

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