Negociação entre Metrô e sindicalistas é retomada; SP pode ter greve

Audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho chegou a ter a presença do presidente da empresa

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

03 Junho 2013 | 17h46

SÃO PAULO - A terceira rodada de negociação entre o sindicato dos metroviários e o Metrô ocorre na tarde desta segunda-feira, 3, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), no centro da cidade, ainda sem acordo. A sessão chegou a ser suspensa, mas retomou no fim da tarde. À noite, os sindicalistas devem votar se farão greve a partir de amanhã.

Se ocorrer, a paralisação começa às 4h40 desta terça-feira, 4.

O impasse se mantém porque o índice de reajuste nos salários proposto pelo Metrô ficou abaixo do que os sindicalistas esperavam. A proposta foi de 6,95% de aumento.

As negociações haviam sido suspensas na semana passada a pedido do Metrô. Em troca de mais tempo para o Metrô fazer as contas e melhorar a oferta original, de 6,45% de aumento, o sindicato topou adiar a greve, marcada para terça-feira da semana passada.

O sindicato esperava uma oferta próxima de 8% de aumento. Esse índice havia sido proposto pelo Núcleo de Conciliações Coletivas do TRT. A reivindicação original do sindicato era aumento de 14,16%.

Como um símbolo de que a oferta chegou ao limite, a negociação teve a presença do presidente do Metrô, Peter Walker, na mesa de negociações. Desde a criação da empresa, em 1968, é a primeira vez que isso ocorre. Entretanto, na avaliação do presidente do sindicato, Altino Prazeres, os percentuais propostos dificilmente serão bem recebidos pela categoria.

Segundo Walker, não foi possível dar aumento maior por dois motivos: primeiro, porque a tarifa do Metrô deveria ter sido reajustada em fevereiro, e a empresa opera no limite financeiro por causa do adiamento -- que ocorreu a pedido do governo federal, como uma forma de combater a inflação. Segundo, porque a passagem, que passou a custar R$ 3,20 no último domingo, foi reajustada em um índice abaixo da inflação.

Walker disse que a venda de bilhetes responde por 93% do faturamento do Metrô. E a folha de pagamento consome 75% das despesas da empresa, sem contar o investimento em obras.

A negociação, por outro lado, avançou em outras áreas, como equiparações salariais e planos de carreira. A nova proposta será votada pelos metroviários em uma assembleia marcada na sede do sindicato, no Tatuapé, zona leste.

A suspensão da audiência ocorreu após novo impasse, sobre o pagamento do adicional de periculosidade. Mas deve ser retomada até as 18h.

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