Negada liberdade provisória a sócio da boate Kiss

Juiz plantonista da Comarca de Santa Maria diz que não há motivos plausíveis para desfazer a sentença anterior

O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2013 | 15h16

SÃO PAULO - O juiz plantonista da Comarca de Santa Maria Afif Simões Neto negou o pedido de liberdade provisória em favor de Elissandro Callegaro Spohr, um dos sócios da boate Kiss, de Santa Maria, onde ocorreu incêndio que vitimou 235 pessoas na madrugada do dia 27. De acordo com o magistrado, não há motivos plausíveis para desfazer a sentença do Juiz Régis Adil Bertolini. 

O decreto de prisão temporária embasou-se em sólidos fundamentos fáticos e jurídicos, principalmente no que diz respeito à necessidade da custódia para a investigação que se encontra em curso, destacou o juiz.

Ainda conforme destaca na decisão, o magistrado afirmou que a autoridade policial deverá fazer nova inquirição do demandante agora que já foram reunidos mais elementos para o aprimoramento do trabalho investigativo.  Acontece que o Sr Elissandro está hospitalizado em Cruz Alta, e o médico que o trata, segundo o mesmo Delegado de Polícia com quem mantive contato, ainda não o teria liberado para prestar novo depoimento, o que se espera que aconteça com brevidade.

Entenda. O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, mais de 230 pessoas - na maioria jovens - morreram na boate Kiss de Santa Maria - cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul.

A tragédia começou às 2h30 de domingo, 27, quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas - 90% morreram asfixiadas.

Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo - eram pais e amigos em busca de informações.

Como o Instituto Médico-Legal não comportava, os corpos foram levados a um ginásio da cidade, onde parentes desesperados passaram o dia fazendo reconhecimento. Lá também foi realizado o velório coletivo.

Ao longo do dia, centenas de manifestações de solidariedade lembraram a tragédia em todo o País. Emocionada, a presidente Dilma Rousseff chorou duas vezes ao falar do caso - ainda no Chile, de manhã, onde deixou um encontro com presidentes, e à tarde, ao lado do governador Tarso Genro, já em Santa Maria. COM INFORMAÇÕES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO SUL

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