Neblina faz passageiro dormir em aeroportos

Procon cobra explicações de companhias aéreas; voos foram normalizados durante o dia

CAMILA BRUNELLI , DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2012 | 03h04

A neblina que voltou a cobrir São Paulo ontem fez 40,6% dos voos atrasarem às 8h no Aeroporto de Congonhas, onde centenas de passageiros dormiam no saguão. A situação também fez a Fundação Procon notificar as principais companhias aéreas do País, TAM e Gol. Elas têm 48 horas para mostrar, com documentos, que orientaram devidamente os passageiros.

A situação se normalizou ao longo do dia: das 184 partidas programadas às 18h, 48 (26,1%) atrasaram e 23 (12,5%) foram canceladas. Mesmo assim, as companhias correm risco de serem autuadas em até R$ 6 milhões.

Em Cumbica, o problema foi menor: das 248 partidas programadas, 27 (10,9%) foram canceladas e 41(16,5%) atrasaram. Mas a neblina pode voltar a atrapalhar aeroportos hoje: a meteorologia aponta risco de nevoeiro até sábado.

Nos saguões, passageiros que esperavam havia mais de dez horas reclamavam da falta de assistência das companhias. Miracélia Abreu, de 44 anos, saiu de Manaus com a filha, a mãe e a família da irmã na semana passada para conhecer o interior paulista. Mas seu voo de retorno - às 19h45 de terça-feira - foi cancelado. "Tivemos de dormir no chão, porque a TAM disse que não poderia fazer nada, já que nosso voo não era conexão. Estou aqui desde ontem (anteontem) com duas crianças e uma pessoa de idade sem comer nem trocar de roupa", disse, indignada. Gol e TAM disseram ter enfrentado falta de vagas em hotéis.

Quem se sentir lesado ainda pode acionar a Justiça para receber de volta o valor da passagem e outros gastos, como diárias. Para o advogado Paulo Ricardo Chenquer, neblina não é atenuante. "Em processos por danos morais, o entendimento dos juízes é de que o risco de atraso nessas condições de neblina decorre da atividade da empresa."

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