Nayara relata à polícia que não ouviu tiro antes da invasão

Menina é a principal testemunha do caso e prestou depoimento no hospital após receber alta médica

Bruno Tavares, de O Estado de S. Paulo,

22 de outubro de 2008 | 19h44

Nayara Rodrigues da Silva, de 15 anos, afirmou em seu depoimento à Polícia Civil na tarde desta quarta-feira, 22, que não houve tiro no apartamento antes de a polícia invadir o apartamento onde ela era mantida refém com a amiga Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos. Nayara é considerada a principal testemunha do caso, já que também era mantida refém por Lindemberg Alves, de 22 anos. A menina teve alta hospitalar às 14h30 desta quarta e prestou depoimento dentro do Centro Hospitalar de Santo André.  O depoimento de Nayara contradiz o que dois moradores do prédio onde Eloá morava declararam à Polícia Civil. Em depoimento, eles afirmaram que ouviram um disparo antes da invasão dos policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). As duas testemunhas são moradores do CDHU do Jardim Santo André e afirmaram que ouviram um disparo semelhante ao de uma arma de fogo momentos antes de ouvir um barulho de explosão. Nayara deixou o hospital com o braço engessado, ao lado da família e com um bicho de pelúcia na mão. Veja também:Advogado de Nayara vai pedir indenização de R$ 2 milhões Depoimento de Nayara após sair do apartamentoLindemberg sai do isolamento em Tremembé nesta quarta-feira Lindemberg diz que só atirou em Eloá após invasão da polícia PMs não são unânimes sobre tiro antes de invasão no caso Eloá Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá    Em seu depoimento, Nayara afirmou que Lindemberg mantinha ela e a amiga amarradas na hora de dormir. Após a invasão do Gate, ela se protegeu com um lençol para se proteger e não viu o momento em que Lindemberg atirou contra Eloá. A menina - que foi baleada no rosto - contou à polícia que não lembra de nada depois que foi atingida.  Nayara contou que Lindemberg efetuou um disparo por volta das 15 horas da sexta-feira, mas que o tiro foi dado no teto, em um momento de nervoso. A menina chegou a afirmar que estranhou o fato de nenhum negociador ter feito contato com o seqüestrador após o disparo. Eloá teve uma crise nervosa naquela tarde e Lindemberg a dominou. Outros depoimentos No depoimento, os vizinhos descreveram as quase 101 horas em que Eloá foi feita refém por Lindemberg Alves, de 22 anos. As testemunhas afirmaram à polícia que, apesar da tensão pelo seqüestro, a sexta-feira, 17, foi um dia tranqüilo no conjunto habitacional e a expectativa era que Lindemberg se entregasse e libertasse as reféns. Os policiais militares do Gate que invadiram o apartamento também não são unânimes sobre o tiro que teria sido disparado antes da invasão. Quatro dos cinco PMs que invadiram o local confirmaram o tiro inicial em depoimento à Polícia Civil.  O comando do grupo de invasão era do tenente Paulo Sérgio Schiavo. Ele declarou que foi o último a entrar e que foi quem tirou Nayara do apartamento. Segundo o tenente, por volta das 2 horas (não fica claro se da madrugada ou da tarde) de sexta-feira, Lindemberg havia feito um disparo dentro do apartamento e ficou acertado que, caso isso se repetisse, haveria a invasão. Um tiro às 18 horas causou o ataque, conforme o comandante. Vizinhos No dia da tragédia, após o resgate das jovens Eloá e Nayara e da prisão de Lindemberg, o Jornal da Tarde ouviu os vizinhos. A esteticista Maria Aparecida Mariano da Costa, de 41 anos, moradora do bloco 20, ao lado do bloco 24, onde Eloá ficou em cativeiro, contou que ouviu o barulho de um disparo antes da explosão da bomba que arrombou a porta do apartamento onde estavam Lindemberg e as duas reféns. "Estava cozinhando quando ouvi um tiro. Em seguida, ouvi a explosão e mais três disparos. Corri para a janela, mas fiquei com medo." Vizinhos de outros blocos não ouviram o primeiro disparo. Só a explosão e, em seguida, os outros três tiros. Eles disseram que viram os policiais jogarem a bomba, invadirem o apartamento e cercarem Lindemberg. "Ouvia os policiais gritando que as meninas estavam feridas", disse uma das moradoras. A polícia começou a ouvir na terça os vizinhos, mas não divulgou nomes nem o teor das declarações. Texto ampliado às 20h25 para acréscimo de informações.

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