Nayara presta depoimento sem a presença de Lindemberg

Promotor do caso acredita que sequestrador vai a júri popular e que julgamento aconteça até maio

Camila Tuchlinski, da Agência Estado, e Vitor Sorano, do Jornal da Tarde,

08 Janeiro 2009 | 11h14

Nayara Rodrigues da Silva, de 15 anos, é a primeira pessoa a depor na audiência desta quinta-feira, 8, sobre o sequestro de Eloá Cristina Pimentel. Lindemberg Alves, de 22 anos, também vai depor e chegou ao local por volta das 8h20. Nayara chegou minutos depois e o depoimento da adolescente começou por volta das 9h20 no Fórum Criminal de Santo André, na Grande São Paulo. Lindemberg não está na mesma sala da jovem, que pôde optar pelo sequestrador não acompanhar a audiência. Não há informações se ele está algemado e quanto tempo vão durar os depoimentos.   Veja também: Lindemberg está ansioso pelo depoimento, diz defesa Perguntas e respostas sobre o caso Eloá  Todas as notícias sobre o caso Eloá         Especial: 100 horas de tragédia no ABC       O juiz José Carlos Carvalho Neto, do Júri de Execuções Criminais, deve ouvir até o final da tarde cinco testemunhas de acusação e outras 13 de defesa. Depois vai interrogar Lindemberg, acusado de assassinar a ex-namorada, e pode decidir se ele vai ou não a júri popular.   A expectativa do promotor é de que o juiz decida pelo júri popular. Caso isso aconteça e a defesa não recorra da decisão, o juiz marca a data para o julgamento. "Na minha previsão, de acordo com a pauta de Santo André, em abril ou maio a gente consegue fazer um julgamento. O que pode atrasar, é se alguma testemunha faltar hoje ou se a defesa recorrer da decisão do juiz". A assessoria do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) não informou se todas as testemunhas convocadas estão no Fórum.   Para Folgado, o fato de o disparo ter sido feito pelo acusado após a invasão da polícia, segundo depoimento de Nayara, não beneficia Lindemberg. "Muito pelo contrário, esse laudo prova que ele teve a intenção de matar mesmo após a invasão. Ele teve a oportunidade de caminhar no apartamento, se abrigar. Ele poderia não ter feito isso. Mas resolveu fazer", argumentou.   Lindemberg será o último a prestar depoimento e já está no local. Ele tem o direito de permanecer em silêncio. O jovem responde por homicídio duplamente qualificado - por motivo torpe e com impossibilidade de defesa da vítima -, tentativa de homicídio, cárcere privado e disparo de arma de fogo.   Eloá e Nayara foram mantidas reféns por Lindemberg durante quase 100 horas. Eloá foi morta e Nayara ferida com um tiro no rosto. O promotor disse que os dois pilares da acusação serão o laudo da reconstituição do crime e o depoimento da Nayara, que viu o assassinato. "O laudo da reconstituição prova que ele (Lindemberg) não tinha a intenção de se matar, porque no momento da invasão ele se abriga, ele protege a sua própria vida e poderia ter se entregado, mas não se entregou." Folgado afirmou que os laudos do Instituto de Criminalística (IC) comprovam a versão da Nayara de que não houve disparo antes da invasão do Gate.   O pai de Eloá, que também é réu no processo, não apareceu no local. Everaldo Pereira dos Santos - que é foragido da Justiça de Alagoas e acusado por homicídios - pode comparecer à audiência, segundo seu advogado da família, Ademar Gomes. O advogado nega as acusações de falsidade ideológica e afirma que Everaldo apenas tentou se preservar - ele seria envolvido com um grupo de extermínio de Alagoas. Além disso, o advogado nega que a arma encontrada no apartamento e que gerou a acusação de porte ilegal de arma seja do pai de Eloá.

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