Nayara diz que Lindemberg planejou morte de Eloá. 'Ela mentiu', rebate defesa

No 1º dia do julgamento do acusado de matar a ex-namorada, em 2008, ela afirma que o réu anunciou que garota 'não sairia viva'

ADRIANA FERRAZ , ARTUR RODRIGUES, , O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2012 | 03h00

Única testemunha ocular da invasão do apartamento que terminou com a morte, aos 15 anos, de Eloá Cristina Pimentel, a estudante Nayara Rodrigues da Silva, de 18, foi o personagem principal do primeiro dia de julgamento de Lindemberg Alves, de 25 anos. Baleada em outubro de 2008, emocionou-se ao lembrar da invasão policial, após 100 horas de cárcere. Mesmo confrontada pela advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, garantiu que Lindemberg planejou o crime. Eloá "não sairia de lá viva", segundo disse.

Em determinado momento, a juíza Milena Dias teve de "defender" Nayara das investidas da defesa. Ela ressaltou que a garota também "era vítima". Ao fim do depoimento dela, Ana Lucia afirmou aos jornalistas que Nayara, por ser vítima, não tem compromisso com a verdade, e mentiu. "Ela está em condição de vítima, não precisa falar a verdade. Mentiu, aumentou, encenou e até fingiu que estava emocionada." A jovem não falou com a imprensa.

Já Lindemberg aparentou calma durante todo o dia. Sentado à frente dos jurados - seis homens e uma mulher -, manteve-se de cabeça erguida, mas procurou não olhar para a plateia. Deixou o plenário só durante os depoimentos de Nayara e Victor Lopes, a pedido de ambos.

Todos os depoimentos da acusação tentaram mostrar o réu como um homem violento, de sangue frio. Segundo Nayara, em nenhum momento, ele largou a arma. Ao ouvir isso, a advogada de defesa foi irônica ao comentar ser "engraçado" Nayara afirmar que Lindemberg sempre amarrava os reféns com a arma em punho. "Engraçado, né? Para a senhora ver", respondeu a jovem, com sarcasmo.

O crime. Nesse clima tenso, Nayara detalhou a invasão do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar. Afirmou que os tiros só foram disparados após a polícia soltar uma bomba para invadir o local. Apesar de não ter conseguido ver quem deu os tiros, ela relatou ter ouvido os três disparos quando a polícia estava do lado de fora e ainda tentava arrombar a chutes a porta do apartamento, que havia sido bloqueada com uma mesa momentos antes por Lindemberg.

"Entrou fumaça, coloquei a mão no rosto e me cobri com o edredom. Aí senti meu rosto estranho, ouvi uns barulhos (os disparos) e depois vi a Eloá desacordada e os policiais tentando desarmá-lo (Lindemberg)."

Sobre sua volta ao cativeiro, após ser liberada por Lindemberg, ela afirmou ter sido chamada em casa por policiais. "Na quinta-feira (dia 16), tinha um policial dizendo que era para eu voltar e ajudar nas negociações", lembra a jovem. Ao voltar ao prédio de Eloá, ela afirmou que a mãe dela foi barrada na porta pelos policiais.

Em contato telefônico com Lindemberg, a testemunha teria sido orientada a ir até a porta do apartamento. Quando entrou novamente na residência, afirmou que encontrou Eloá bastante ferida. "Ela havia apanhado a noite inteira. Estava exausta e disse que sabia que ia morrer."

Outras testemunhas.Ontem foram ouvidos também os dois amigos de Eloá mantidos como reféns - Victor Lopes e Iago Vilela de Oliveira, ambos de 18 anos. Os dois confirmaram que Lindemberg tinha intenção de matar Eloá desde o início e relataram que foram agredidos pelo réu. Iago prestou depoimento na frente do acusado e afirmou que ele se "gabava do poder" que adquiriu ao invadir o apartamento, no ABC paulista.

A última testemunha ouvida foi o sargento Atos Valeriano. Ele contou que Lindemberg tentou matá-lo no primeiro dia do sequestro. O julgamento será retomado hoje, a partir das 9 horas. Ainda não há definição sobre a data do depoimento da mãe da vítima e do irmão mais novo, que foram arrolados pela defesa ontem. Mas há expectativa de que o júri seja concluído amanhã.

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