Hélvio Romero/AE
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Nayara diz que Lindemberg planejou morte de Eloá. 'Ela mentiu', rebate defesa

No 1º dia do julgamento do caso, ela afirma que acusado anunciou que amiga 'não sairia viva' em 2008

Adriana Ferraz e Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2012 | 23h34

SÃO PAULO - Única testemunha ocular da invasão do apartamento que terminou com a morte de Eloá Cristina Pimentel, a estudante Nayara Rodrigues da Silva, de 18 anos, foi o personagem principal do primeiro dia de julgamento de Lindemberg Alves, de 25. Baleada em outubro de 2008, emocionou-se ao lembrar da invasão policial, após 100 horas de cárcere. Mesmo confrontada pela advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, garantiu que Lindemberg planejou o crime. Eloá "não sairia de lá viva", segundo disse.

Em determinado momento, a juíza Milena Dias teve de "defender" Nayara das investidas da defesa. Ela ressaltou que a garota também "era vítima". Ao fim do depoimento dela, Ana Lucia afirmou aos jornalistas que Nayara, por ser vítima, não tem compromisso com a verdade, e mentiu. "Ela está em condição de vítima, não precisa falar a verdade. Mentiu, aumentou, encenou e, em alguns momentos, fingiu que estava emocionada." A jovem não falou com a imprensa ao deixar o local.

Já Lindemberg aparentou calma durante todo o dia. Sentado à frente dos jurados - seis homens e uma mulher -, manteve-se de cabeça erguida, mas procurou não olhar para a plateia. Deixou o plenário só durante os depoimentos de Nayara e Victor Lopes, a pedido de ambos.

Todos os depoimentos da acusação tentaram mostrar o réu como um homem violento, de sangue frio. Segundo Nayara, em nenhum momento, ele largou a arma. Ao ouvir isso, a advogada de defesa foi irônica ao comentar ser "engraçado" Nayara afirmar que Lindemberg sempre amarrava os reféns com a arma em punho. "Engraçado, né? Para a senhora ver", respondeu a jovem, com sarcasmo.

O crime. Nesse clima tenso, Nayara detalhou a invasão do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar. Afirmou que os tiros só foram disparados após a polícia soltar uma bomba para invadir o local. Apesar de não ter conseguido ver quem deu os tiros, ela relatou ter ouvido os três disparos quando a polícia estava do lado de fora e ainda tentava arrombar a chutes a porta do apartamento, que havia sido bloqueada com uma mesa momentos antes por Lindemberg.

"Entrou fumaça, coloquei a mão no rosto e me cobri com o edredom. Aí senti meu rosto estranho, ouvi uns barulhos (os disparos) e depois vi a Eloá desacordada e os policiais tentando desarmá-lo (Lindemberg)."

Sobre sua volta ao cativeiro, após ser liberada por Lindemberg, ela afirmou ter sido chamada em casa por policiais. "Na quinta-feira (dia 16), tinha um policial dizendo que era para eu voltar e ajudar nas negociações", lembra a jovem. Ao voltar ao prédio de Eloá, ela afirmou que a mãe dela foi barrada na porta pelos policiais.

Em contato telefônico com Lindemberg, a testemunha teria sido orientada a ir até a porta do apartamento. Quando entrou novamente na residência, afirmou que encontrou Eloá bastante ferida. "Ela havia apanhado a noite inteira. Estava exausta e disse que sabia que ia morrer."

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Outras testemunhas. Ontem foram ouvidos também os dois amigos de Eloá mantidos como reféns - Victor Lopes e Iago Vilela de Oliveira, ambos de 18 anos. Os dois confirmaram que Lindemberg tinha intenção de matar Eloá desde o início e relataram que foram agredidos pelo réu. Iago prestou depoimento na frente do acusado e afirmou que ele se "gabava do poder" que adquiriu ao invadir o apartamento, no ABC paulista.

A última testemunha ouvida foi o sargento Atos Valeriano. Ele contou que Lindemberg tentou matá-lo no primeiro dia do sequestro. O julgamento será retomado hoje, a partir das 9 horas. Ainda não há definição sobre a data do depoimento da mãe da vítima e do irmão mais novo, que foram arrolados pela defesa ontem. Mas há expectativa de que o júri seja concluído amanhã.

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