Naufrágio na Bahia mata 9 crianças

Acidente em barco que tinha capacidade para 6 pessoas e levava 18 também matou uma adolescente e deixou outra jovem desaparecida

Tiago Décimo / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2010 | 00h00

Dez pessoas morreram e uma menina de 10 anos está desaparecida desde o fim da tarde de anteontem, quando uma pequena embarcação naufragou no Lago de Sobradinho, barragem do Rio São Francisco no município de Pilão Arcado, a 740 quilômetros de Salvador, no norte da Bahia. Entre as vítimas estão nove crianças, de 1 a 11 anos, e uma adolescente de 16.

O barco - do tipo rabeta, comum entre pescadores da região - tem capacidade para seis pessoas (sem carga), mas levava 18, todas da mesma família.

Segundo informações da Delegacia de Pilão Arcado, que investiga o caso, o barco era conduzido pelos irmãos Ailton e Raimundo Andrade e naufragou, por volta das 16 horas, nas proximidades do povoado de Alto do Galvão, a 18 quilômetros da sede do município.

O socorro aos náufragos começou pouco depois, quando um pescador avistou os sobreviventes, mas a correnteza era forte. Cerca de 20 policiais, militares e civis, participaram dos trabalhos, ajudados por moradores da região, na noite de anteontem.

Integrantes de equipes de salvamento do Corpo de Bombeiros só chegaram ao local no fim da manhã de ontem, porque tiveram de se deslocar de Juazeiro, a cerca de 300 quilômetros. Durante o dia, as equipes usaram lanchas e equipamentos de mergulho para localizar os corpos.

Causas. Peritos da Polícia Técnica e da Capitania dos Portos do São Francisco apuram o que teria acontecido para o barco naufragar. Segundo o delegado Arnóbio Dionísio Soares, as primeiras análises apontam para o excesso de peso, apesar de alguns relatos informarem fortes ventos na região.

Se a suspeita for confirmada, Ailton e Raimundo podem ser indiciados por homicídio doloso - com dolo eventual -, quando se assume o risco de matar. "Eles têm experiência como pescadores, conheciam os riscos de transportar tantas pessoas", avalia o delegado. Segundo Soares, o transporte informal de pessoas pela barragem em barcos de pesca é comum, apesar de não ser regulamentada ou fiscalizada.

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