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Naufrágio mata mãe e filho no litoral sul de SP

Embarcação Pérola Negra foi atingida por marolas e passageiros em pânico se aglomeraram em um lado do barco, que virou

Luiz Alexandre Souza Ventura , Especial para o Estado

24 de janeiro de 2016 | 15h06

Atualizada às 19h22.

SANTOS - Um naufrágio matou duas pessoas neste sábado, 23, em Cananéia, no Vale do Ribeira, região sul do Estado de São Paulo. De acordo com o Corpo de Bombeiros de Registro, as vítimas são mãe e filho. Ambos retornavam de um passeio ao Parque Estadual da Ilha do Cardoso (perto da divisa com o Paraná), na embarcação Pérola Negra, por volta de 17h, com mais 18 pessoas, quando o veículo virou.

Elaine Cristina Verne Curtale, de 41 anos, e o menino, D.C., de 4 anos, ficaram presos na cabine e morreram afogados. Os corpos foram resgatados neste domingo, 24, e encaminhados ao Instituto Médico Legal de Registro, onde já foram reconhecidos por parentes. O barco afundado permanece no local do Naufrágio.

As vítimas são esposa e filho de um funcionário do setor de vendas de uma companhia multinacional de informática. Atendendo a pedido da empresa, a reportagem não vai citar o nome do funcionário.

A embarcação foi alugada por Renata Martir, bacharel em Direito que comemorava seu aniversário com um grupo de amigos. Em entrevista à Rádio CBN neste domingo, 24, ela descreveu o acidente. "O piloto do barco estava correndo muito, estava em alta velocidade, pegou uma marola, saiu de lado, bateu três vezes na água, e virou. Meu filho, de 7 anos, foi arremessado. Meu marido foi arremessado. Alguns amigos foram arremessados e eu estava dormindo neste momento. Acordei já embaixo da água, com o barco virado por cima de mim. Foi horrível", disse.

A reportagem tentou contato com Renata Martir e outras pessoas do grupo, mas foi informada pela gerência do Golfinho Plaza Hotel, em Cananéia, que todos já deixaram o local.

De acordo com César Duarte, proprietário do Pérola Negra, não houve marola ou qualquer movimentação externa para causar o acidente. "A lancha estava a aproximadamente três quilômetros do porto de Cananéia. Eles saíram para o passeio por volta de 10h e foram até a divisa com o Paraná. Quando estavam voltando, já na Ponta da Prainha, os passageiros resolveram mudar de posição nos bancos e um deles era obeso. Isso provocou o desequilíbrio e o barco virou", diz Duarte.

"Nós navegamos naquela região a uma velocidade de 25 a 30 milhas (43,3 e 55,5 km/h), que a velocidade de cruzeiro. Todos os passageiros usavam colete. O piloto é muito experiente, mas foi surpreendido pela movimentação repentina e não conseguiu evitar que o barco virasse", afirma o proprietário do Pérola Negra.

Marinha. Por meio de nota enviada pela Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), a Marinha informou que recebeu comunicação sobre o acidente às 19h50 de sábado.

A embarcação Pérola Negra tem capacidade para 24 pessoas - 23 passageiros e um tripulante - transportava 20 passageiros e o piloto no momento do acidente. O barco feito em alumínio tem 8,6 metros de comprimento, foi fabricado em 2014 e pertence a uma empresa (o nome não foi divulgado). O veículo está cadastrado para navegação interior (quando não há mar aberto), tinha permissão para transporte apenas de passageiros e estava em local regular no momento do naufrágio.

Segundo a nota, o acidente aconteceu às 18h25, em Cananéia, no local chamado de Ponta da Prainha, onde havia várias embarcações. Muitas auxiliaram no resgate das pessoas que estavam na superfície, mas ninguém conseguiu encontrar a mulher e a criança que ficaram presas no Pérola Negra.

A Capitania já deu início à apuração e colheu dados preliminares no local do naufrágio para verificar se a documentação da embarcação está atualizada, se o piloto é habilitado e se todos os passageiros usavam coletes salva-vidas. Um inquérito administrativo será instaurado, com prazo de conclusão em 90 dias. Após as primeiras avaliações, ficou constatado que não houve vazamento de combustível, descartando a possibilidade de acidente ambiental.

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