Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

Naufrágio de barco superlotado mata 4 e deixa 5 desaparecidos no Paranoá

Cerca de cem passageiros participavam de festa em embarcação no lago de Brasília no momento do acidente; bebê está entre as vítimas

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

Pelo menos quatro pessoas morreram no naufrágio de um barco superlotado, na noite de anteontem, no Lago Paranoá, em Brasília. Bombeiros devem retomar hoje as buscas por pelo menos cinco pessoas, que seguem desaparecidas.

As investigações indicam que o Imagination estava com o tubulão (tubo de flutuação) rachado. Com capacidade para 92 pessoas, a embarcação transportaria pelo menos 101, que faziam uma festa a bordo. A principal hipótese para a tragédia é que uma lancha com um passageiro retardatário bateu no casco, ao se aproximar para tentar embarcá-lo. Os tubulões são grandes tubos vedados, com ar dentro, fixados sob o casco para dar flutuabilidade. Quando o tubo racha, entra água e o barco desequilibra, conforme explicou o comandante Rogério Leite, chefe da Delegacia Fluvial e encarregado do inquérito administrativo.

Sobreviventes relataram que todos correram para o lado da batida, concentrando o peso em uma parte. É possível que tenha sido justamente o lado com o tubulão rachado. O barco afundou em minutos, duas horas após sair do embarcadouro do Clube Cota Mil. Apesar dos 110 salva-vidas a bordo, poucos conseguiram pegar o colete antes de cair na água. O delegado Adval Cardoso de Matos, da 10.ª DP, encarregado do inquérito criminal, relatou que todos os passageiros receberam instruções para caso de emergência.

O comandante Leite ainda ressaltou que não é obrigatório o uso do colete o tempo todo. "Em casos com crianças e pessoas que não sabem nadar, manda o bom senso que estejam sempre de colete", ressalvou.

Vítimas. Acionado pela Capitania dos Portos às 20h52, o socorro dos bombeiros levou 20 minutos para chegar ao local. Quatro vítimas foram localizadas entre anteontem e ontem - as buscas foram suspensas às 19h30 -, incluindo um bebê de 7 meses, João Antônio Fernandes.

O bebê ainda tinha sinais vitais ao ser resgatado, mas morreu antes de chegar ao hospital. A mãe dele, Valdelice Fernandes, de 34 anos, é uma das desaparecidas e, segundo sobreviventes, teria sumido nas águas enquanto tentava salvar o filho. Ambos estavam sem colete. A major Vanessa Signale, que coordena as ações dos bombeiros em terra, informou que foram feitas várias tentativas de salvar João.

Um segundo corpo foi retirado das águas no fim da manhã. Trata-se de Flávia Daniela Pereira Dornel, de 22 anos, irmã da promoter da confraternização, Vanda Pereira Dornel, que sobreviveu. Vanda prestou depoimento pela manhã e disse que faz eventos há anos em vários barcos e nunca houve acidentes. Desta vez, participavam da festa amigos, parentes e convidados, que pagaram entre R$ 50 e R$ 60.

Indiciamento. A Marinha abriu inquérito administrativo e tem 90 dias para concluir o relatório com as causas do acidente. Dois peritos em acidentes navais devem vir hoje do Rio para ajudar nas investigações. A Polícia Civil abriu inquérito criminal para levantar as responsabilidades pelo acidente e deve indiciar o piloto por crime culposo (sem intenção). Ele foi submetido ao teste de bafômetro, que deu negativo.

Um grupo de 86 pessoas, incluindo 30 mergulhadores, dá suporte às buscas - que serão retomadas às 7h -, com o uso de seis lanchas, um barco e dois helicópteros. Bombeiros filmaram a posição do barco, que está embicado a 17 metros de profundidade, para um estudo detalhado da posição e resgate de corpos. Com o fim das buscas, será feito o içamento da embarcação.

 

 

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