Natividade da Serra tem ''exército de sozinhos''

Cidade é a campeã do Estado em domicílios com apenas 1 morador: 22%

Gerson Monteiro, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2011 | 00h00

Natividade da Serra, a 185 km de São Paulo, tem 6.678 habitantes e destaca-se como a campeã dos solitários no Estado: 22% dos domicílios têm apenas um morador. Grande parte desse "contingente" é formada pelo pessoal que já está na terceira idade - e nunca se casou.

Parado no Mercado Municipal para um café, o trabalhador rural Benedito Vicente da Silva, de 63 anos, comenta sua solidão. "Minha mãe morreu em 1972. Depois disso, sempre morei sozinho", justifica o caboclo, que vive com uma renda média de R$ 300 por mês e trabalha na criação de gado. "Não sou namorador mas, se aparecer alguma companheira, eu topo." Ele garante não se sentir solitário.

Um dos pontos de encontro dos "solitários" é a sede do Fundo Social de Solidariedade, mantido pela prefeitura. Senhores e senhoras frequentam o grupo e aproveitam o tempo para apostar na sorte em um bingo, toda quarta-feira. Nos outros dias da semana, os sexagenários participam de atividades físicas.

De acordo com a assistente social Flávia Cristina Ortiz, não há um fator específico que leve esses moradores a viver sozinhos. "Cada um tem a sua história."

Solidão. Apesar de a saúde não ser igual à dos mais novos, a aposentada Maria Aparecida Dionísio, de 76 anos, acredita na chance de encontrar um companheiro. Apontando para a bengala ao lado, ela brinca: "Se eu fosse uma mulher rica, talvez arrumasse alguém." Sem saber ler nem escrever e viúva há 33 anos, ela passa as tardes jogando com o grupo do Fundo Social.

Morar sozinho não significa ser solitário. Quem afirma é a aposentada Amy Fernandes de Castro, de 79 anos. "Tive loja a vida inteira. A gente nunca se sente sozinha com a convivência com o povo", diz ela, que gosta de frequentar festas diurnas na pequena Natividade da Serra. Amy não vê motivos para arrumar um companheiro. "Tenho outros quatro irmãos que também nunca se casaram. Vivemos bem sem ninguém."

O aposentado José Maria de Almeida é outro caboclo que afirma nunca ter se casado - nem pensa em arrumar uma companheira. Ele passa o dia fazendo faxina na casa deixada pela mãe. "São quatro quartos, sala, copa, cozinha, banheiro. É muito bom morar lá", comenta o acanhado senhor, que tem a televisão como companheira.

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