Nas áreas isoladas, além de luz e telefone, faltam água e comida

Em Bom Jardim, supermercados que ficaram em pé não têm mais quase nada. Pontes e estradas estão destruídas

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2011 | 00h00

As consequências das chuvas em São José do Vale do Rio Preto são uma incógnita. Mais de 24 horas depois da enxurrada, 60 casas foram destruídas e pelo menos quatro pessoas morreram. O município está isolado, com a BR 116, a principal via de acesso, interditada. O Rio Preto subiu e destruiu as casas ribeirinhas.

Os dois lados do município estão isolados, pois uma ponte foi levada pelas águas e a outra teve a estrutura comprometida. A cidade está sem energia e sem fornecimento de água. Não há combustível para seus 20 mil moradores. Dois postos de gasolina foram destruídos e o que restou abastece só os carros oficiais. São da cidade as imagens da mulher sendo resgatada em meio a uma enxurrada, divulgadas ontem pelo Jornal Hoje, da Globo.

O prefeito de São José do Vale do Rio Preto, Adilson Faraco Brügger de Oliveira, se refugiou na prefeitura de Sapucaia, pois a sede da administração está soterrada por 3 metros de lama. "Na quarta-feira, ele conseguiu chegar até aqui por uma estrada de terra. Ninguém sabe ao certo o número de mortos", disse o secretário de Comunicação Social de Sapucaia, Sérgio Campante. "Pelas informações, as águas que desceram por Teresópolis chegaram à cidade com uma força brutal e arrebentaram tudo", disse o deputado Nilton Salomão (PT), que tentava chegar a Rio Preto.

No município de Areal, a 45 minutos dali, imagens transmitidas pela TV salvaram a vida da população ribeirinha. "Não tivemos mortes, porque soubemos da catástrofe em São José do Vale do Rio Preto e corremos para retirar a população que vive perto das margens do rio. Agora temos 1,2 mil desabrigados e desalojados. A água levou muitas casas", disse o prefeito de Areal, Laerte Calil de Freitas.

A situação está parecida em Bom Jardim, onde a rede de telefonia não funciona e o fornecimento de energia é parcial. A adutora da cidade foi destruída e o fornecimento de água interrompido. Quatro pontes da cidade caíram e há bairros ilhados. Dezenas de casas desabaram. Em nota, a prefeitura afirma que a cidade vive um "caos" e acrescenta que "a população está apreensiva, pois os supermercados que ficaram de pé já não têm mais quase nada".

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.