'Não tenho raiva, mas ele estava bêbado

Liberada anteontem, vítima de atropelamento em ponto quer mais rigor: 'As pessoas bebem, se excedem e acontece isso'

Entrevista com

FABIANO NUNES, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2011 | 03h02

A atendente Meire Miranda, de 25 anos, recebeu alta da Santa Casa anteontem. Ela estava internada desde domingo, quando foi atropelada em um ponto de ônibus da Avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim-Bibi, zona sul, por um motorista sem habilitação, que pegou o carro do pai escondido e admitiu ter tomado três uísques na balada.

Seu noivo, Ricardo Miranda, de 27 anos, também atingido, segue internado no Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas. Ontem, ele passou pela segunda cirurgia para reconstruir parte de uma das pernas. De acordo com os familiares, não corre mais o risco de perder a perna. Uma terceira vítima, Felipe Fatore, de 24, teve fratura exposta no pé e perdeu parte de um dedo, mas foi liberado no domingo.

O motorista do carro, Nacib Mohamed Orra, de 20 anos, foi solto na quarta-feira, após pagar uma fiança de R$ 54,5 mil. Orra negou-se a prestar depoimento, optando pelo direito de falar somente em juízo. Sobre o caso, o Estado conversou ontem com Meire.

Qual a lembrança que você tem do acidente?

Eu só tenho algumas visões. Estávamos conversando quando escutei uma freada e vi o carro rodopiando em nossa direção. Em seguida, foram gritos, a pancada e a dor. Lembro que não sentia mais as pernas e fiquei caída, segurando no poste do ponto. Não levantei, pois temia cair por cima do meu noivo.

Qual foi a reação do motorista?

Ele desceu do carro muito preocupado e disse que nos ajudaria no que fosse preciso. Infelizmente, foi um acidente, ele errou. Não tenho raiva, graças a Deus estou viva. Mas espero que ele aprenda com esse episódio, que tenha consciência do que aconteceu e amadureça.

Ele estava alcoolizado?

Sim, estava. Infelizmente, ninguém respeita as leis neste País. Quem tem dinheiro paga a fiança e está resolvido. Trabalho com balada há muitos anos e posso garantir que nada mudou após a lei seca. As pessoas bebem, se excedem e acontece esse tipo de coisa. O carro é uma arma, é preciso ter cuidado e saber o que está fazendo.

O que deve mudar?

A lei existe, mas é preciso ter mais blitze da polícia e as pessoas precisam respeitar regras.

O motorista procurou vocês após o acidente?

Ele pagou a remoção com a ambulância para minha casa. A família dele também tem se dedicado a ajudar.

Você e seu noivo desmarcaram o casamento, que estava programado para fevereiro?

Ele disse que vai casar de qualquer jeito, nem que seja preciso entrar de cadeira de rodas.

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