Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

'Não tenho medo de falar em privatização porque não sou político', diz Doria

Prefeito afirma que todos os recursos obtidos com seu programa de desestatização serão destinados a programas sociais

Daniel Weterman e Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2017 | 12h07
Atualizado 12 Maio 2017 | 15h14

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse nesta sexta-feira, 12, que 100% dos recursos levantados pelo programa de privatização do município serão destinados a programas sociais e que não ter "medo de falar em privatização" porque não se considera um político.

"Não vamos fazer desestatização com fundo municipal para pagar dívida ou custeio. É 100% voltado a programas sociais", afirmou o prefeito durante evento promovido pela Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham Brasil). Segundo ele, a prioridade será destinar os recursos aos "mais pobres e humildes".

Doria disse que o programa de privatização, a ser votado na Câmara Municipal, é o maior já feito na história.

"Não tenho medo de falar em privatização até porque não sou político", afirmou o tucano, reforçando seu discurso de gestor. "Não estou com isso desmerecendo os políticos. Mas não sou um político."

 

O prefeito disse que foi eleito pelas propostas, não pela tradição política. "Foquei em programas, e a população compreendeu e votou", disse o tucano, lembrando de sua vitória em primeiro turno na disputa pela Prefeitura de São Paulo, quando teve 3.085.187 votos, o equivalente a 53,3% dos votos válidos.

Eleições 2018. Embora pesquisas indiquem a viabilidade de seu nome à corrida pelo Palácio do Planalto, o prefeito de São Paulo disse que sua gestão não se pauta por objetivos políticos. O tucano exaltou suas qualidades como gestor.

"Não que isso (a política) me dê ojeriza, mas eu sou um administrador, sou um gestor. Estou fazendo no setor público aquilo que fiz no setor privado durante 45 anos."

Segundo Doria, sua forma de gestão contagiou outras cidades, governos estaduais e, como consequência, levou a citação de seu nome em pesquisas para presidente. "Volto a dizer que não faço gestão com objetivo político. Estou fazendo gestão para cumprir com a minha obrigação, que é ser um bom gestor. Fui eleito para isso."

 

Durante o evento da Amcham, Doria reforçou sua posição contra a reeleição e citou a eficiência, a transparência e a inovação como as bases de sua gestão - em contraposição à gestão ideológica ou partidária. Ele considerou que, à frente da Prefeitura, mais acertou do que errou até o momento. "Errar faz parte. Só não erra quem não faz. Mas a atitude covarde de não fazer não é uma atitude de líder", assinalou.

Doações. O prefeito também aproveitou o seminário para, ainda em seu discurso, defender as doações feitas por empresas ao município, alvo de questionamentos sobre quais são os interesses das companhias por trás da iniciativa.

Segundo Doria, as empresas aceitam fazer a doação porque é positivo para a imagem delas, sem contrapartidas, e os recursos concedidos pela iniciativa privada ajudam a reduzir custos de serviços da Prefeitura, como a recuperação de parques. Ele lembrou que recebeu nesta quinta-feira, 11, da Cisco a "maior doação da história". Serão R$ 300 milhões em equipamentos de informática usados que vão para as escolas municipais.

Entre os exemplos sobre o tema, o tucano citou que a doação de R$ 126 milhões em remédios feita por laboratórios ajudou a resolver a situação dos estoques de medicamentos em postos municipais. De acordo com Doria, eles estavam zerados quando assumiu a Prefeitura. O governador Geraldo Alckmin (PDSB), chamado pelo prefeito de "ponta firmíssima", garantiu a isenção de impostos estaduais nos remédios doados. "Havia filas enormes de gente esperando medicamento", afirmou Doria.

Corujão. Após dizer que o Corujão da Saúde, programa que permite atendimento gratuito em hospitais privados na madrugada, já eliminou as filas de 486 mil pessoas por exames, Doria adiantou que até o fim do ano a Prefeitura vai zerar as filas por cirurgia. 

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