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'Não tem como provar quem atirou', diz defensor de réus do massacre do Carandiru

Terceira etapa do julgamento começou na manhã desta segunda-feira, 17, com 15 policiais acusados; 111 presos foram mortos no episódio, em outubro de 1992

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2014 | 12h05

Atualizado às 17h04

SÃO PAULO - A terceira etapa do julgamento do massacre do Carandiru teve início nesta segunda feira, 17, no Fórum criminal da Barra Funda, zona norte da cidade, e a expectativa é de que dure uma semana.

Ao todo, 15 policiais serão julgados pela morte de oito detentos que estavam no quarto pavimento (3º andar) da antiga Casa de Detenção do Carandiru.

Na entrada do fórum, o advogado Celso Machado Vendramini disse estar tranquilo e que os réus serão absolvidos por negativa de autoria. "Se não houve exame balístico não tem como provar quem atirou em quem. Isso é um absurdo". A mesma tese foi usada, e derrotada, nos primeiros dois julgamentos.

De acordo com o Vendramini, antes da entrada dos agentes já havia cerca de 20 mortos. "Estava escuro. Os presos atiravam neles e eles revidavam os tiros em direções aos clarões que viam. Nem eles (policiais), sabem se acertaram alguém".

O massacre do Carandiru aconteceu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos durante uma operação policial para reprimir uma rebelião no pavilhão 9 do antigo presídio.

Perícia. O perito Oswaldo Negrini Neto foi a primeira testemunha de acusação a ser ouvida. O depoimento durou cerca de 1h40. Negrini relatou que, no quarto e quinto pavimento, não havia nem 10% dos vestígios encontrados nos outros andares. Especificamente no 4º, Negrini afirmou que só havia vestígios em uma única cela (9416E). Ele destacou que só acessou o 4º pavimento doze dias depois do massacre.

O perito descreveu para o júri o estado em que o 9º pavilhão foi encontrado. "As cenas eram marcadas por uma violência descabida", disse. O perito mais uma vez ressaltou que o local não foi preservado para a perícia e que havia sido proibido de realizá-la. Ao conseguir entrar, de acordo com Negrini, ele pôde constatar que a maioria dos disparos tinham sido feitos da porta para dentro da cela. "Mais de 80% dos vestígios mostrava que os disparos foram feitos da entrada das celas", disse.

Julgamento. Serão ouvidas seis testemunhas de acusação, cinco de defesa e os réus. O conselho de sentença, escolhido em sorteio no começo do júri, tem 7 homens.

Entre as testemunhas de acusação, está o sobrevivente Marco Antonio de Moura e o diretor de segurança e disciplina do presídio, Moacir dos santos.

Segundo o juiz Rodrigo Tellini Aguirre Camargo, a expectativa é de que nesta segunda-feira todas as testemunhas de acusação arroladas sejam ouvidas (são seis, mas apenas 3 foram localizadas). No cronograma previsto pelo magistrado, na terça-feira serão ouvidas as testemunhas de defesa e os interrogatórios dos réus devem começar na quarta-feira.

Sorteio do júri. Camargo afirmou que a demora de mais de duas horas no sorteio do júri foi por causa da avaliação médica pela qual os sorteados tiveram que passar. "Adotei a prática da avaliação médica baseado na experiência dos julgamentos anteriores", disse.

De acordo com o juiz, nesta etapa há a expectativa de que os 15 réus sejam ouvidos e não está prevista a exibição de vídeos.

A quarta e última etapa do julgamento, na qual mais 15 policias serão julgados, está prevista para o dia 17 de março.

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