‘Não sobreviverei por muito tempo’, diz empresária, sobre IPTU

‘Não sobreviverei por muito tempo’, diz empresária, sobre IPTU

Para Ana Carina Perez, sócia-proprietária do Bar da Vila, com aumento do imposto, equilibrar as contas será desafio

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2014 | 03h00

Comerciantes da região central de São Paulo lamentaram nesta quarta-feira, 26, a decisão da Justiça de aumentar o IPTU em até 29,4%. Em uma das regiões que deverão ser afetadas, a Vila Mariana, donos de bares e restaurantes classificaram o aumento como abusivo e disseram que 2015 pode ser um ano-limite para seus comércios. “A gente já paga imposto para tudo, tanto pessoa física quanto jurídica, e não é baixo. Um aumento de 20%, 30%, me parece abusivo”, afirmou Gerenaldo Silva, supervisor de uma padaria na Rua Afonso de Freitas, na Vila Mariana.

“Por causa desse aumento e de outras ações da Prefeitura, como a instalação de ciclovias na frente do meu negócio, não vou sobreviver por muito tempo. Estou aqui há sete anos. Se o IPTU aumentar tudo isso, terei de sair daqui”, disse uma podóloga na mesma rua.

João Perez, sócio de três bares no bairro, reclamou que nenhum produto ou serviço aumentou 30%, o que tornaria “ilógica” a decisão da Prefeitura. “Partindo do princípio de que esse ano foi horrível, não só para os setores de comidas e bebidas, mas para todos os outros, ter um aumento desses no início do ano seguinte é já começar 2015 com o pé esquerdo”, explicou. “A Prefeitura precisa de dinheiro, mas não pode prejudicar o comércio. É um custo que vai ser difícil de segurar.”

A filha de Perez, Ana Carina, é sócia-proprietária do Bar da Vila, na Rua Joaquim Távora. Segundo ela, equilibrar as contas será o desafio. “A gente teria de repassar esse reajuste para os clientes, mas sabe que vai impactar o movimento, que já não está dos melhores. Este foi o ano mais difícil para nós em 14 anos. Foi a pior Copa do Mundo - na anterior, eu havia faturado três vezes mais”, explicou.

Ano ruim. O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Rogério Amato, disse que a Prefeitura deveria fazer uma reavaliação sobre o momento de introduzir o aumento do IPTU. “A decisão da Justiça vai ser cumprida. O problema é que havia a expectativa de um ano bom. O que estamos vendo é um ano em que todas as expectativas são de crescimento zero”, explicou. “Se houver um aumento de imposto agora, o empreendedor terá menos vontade e disponibilidade para renovar o aluguel, fazer uma reforma. Em um ano em que já está todo mundo cheio de precauções, receber a notícia nesta altura do campeonato é muito ruim”, salientou.

A ACSP diz que espera contar com a “compreensão” da Prefeitura. “O Município conseguiu renovação de empréstimos, então, o problema de arrecadação não é argumento tão forte quanto no ano passado”, disse Amato.

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