Não se pode dizer que a ADA acabou. Mas tudo vai mudar

Cenário: Pedro Dantas

O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2011 | 03h04

Em menos de 24 horas, três prisões desarticularam a facção criminosa que mais lucrava com o tráfico de drogas no Rio. A Amigos dos Amigos (ADA) orbitava em torno da Favela da Rocinha, dominada até ontem por Antônio Bonfim Lopes, o Nem, cujo lucro apenas com a venda de drogas rendia cerca de R$ 2 milhões semanais, segundo a polícia. Os ganhos da quadrilha foram turbinados com as técnicas de refino de cocaína implementadas pelo traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, morto em março do ano passado, cujo sucessor, Sandro Luiz de Paula Amorim, também foi preso na tarde de quarta-feira, ao lado de Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, o homem bélico da ADA.

Integrantes da cúpula da Segurança ainda são reticentes em afirmar que a ADA acabou, mas, com a retomada da Rocinha - a joia da coroa do tráfico -, todos afirmam que nada será como antes. A favela, o espaço de impunidade da ADA, funcionava não só como ponto de venda de drogas, mas já era um entreposto de venda de entorpecentes até para outras facções criminosas do Rio.

Com uma rede de "mulas" para trazer a pasta base de cocaína e refino da droga dentro da favela, o chefe da Rocinha dispensou os serviços de contrabando prestados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e, por sua vez, não foi obrigado pela quadrilha paulista a vender crack na favela, como aconteceu nas regiões dominadas pelos rivais do Comando Vermelho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.