''Não sabia que precisava de autorização''

Deuzeni Goldman, primeira-dama do Estado

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2010 | 00h00

A areia da cocheira do Parque da Água Branca, na zona oeste da capital, está completamente esburacada, repleta de furos perfeitamente redondos e simétricos, como se algum tipo de máquina tivesse passado de repente por ali. A máquina, na verdade, é o salto de quase quatro centímetros da primeira-dama do Estado, Deuzeni Goldman, que caminha elegantemente de um lado para o outro das cocheiras para inaugurar a decoração de Natal do parque e cumprimentar conhecidos.

Terninho verde e óculos de sol que cobrem quase todo o seu rosto, ela não cansa - nem desacelera quando seu salto prende na areia. Deuzeni segue deixando a sua marca no Parque da Água Branca, alheia a toda sorte de polêmicas e imbróglios.

Deuzeni Goldman é presidente do Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural de São Paulo (Fussesp), cuja sede fica no parque. Em quase oito meses de gestão, foram mais de dez intervenções no local e cinco placas de inauguração. O Ministério Público Estadual, no entanto, afirmou que as mudanças só aconteceram de forma tão rápida porque Deuzeni não se importou com o licenciamento ambiental, tampouco pediu autorização aos órgão de patrimônio. A Justiça concedeu então uma liminar anteontem paralisando as obras. Resultado: a 22 dias do fim do mandato, Deuzeni já se ressente de não conseguir completar o seu plano para o parque.

A senhora ficou magoada com a paralisação das obras?

Não é nem magoada. É preocupada com o trabalho de revitalização. Vamos agora tentar readequar e falar com os órgãos de patrimônio para saber o que está acontecendo, qual é a divergência. Fizemos a nossa parte.

O promotor responsável pelo caso afirmou em sua ação que vê "personalismo e autoritarismo" no parque. A senhora considerou isso um ataque pessoal?

Eu não sou nada autoritária, o pessoal que me conhece sabe bem, tenho uma equipe que entra na minha sala a qualquer hora. Trabalho sempre de porta aberta, falo com todas as pessoas do parque, estou sempre circulando. Não sou autoritária. O promotor está um pouco equivocado.

No pedido de liminar, o MP afirma que a senhora não teve autorização dos órgãos de defesa do patrimônio. O Conpresp, que é o órgão municipal, não deferiu ainda o pedido de...

A gente tem muita obra que nem sabia que precisava pedir autorização. Como o parque é estadual, a gente pedia autorização para o órgão estadual.

Mas para uma obra desse tamanho não seria necessário ao menos procurar a legislação? A lista de bens tombados do Conpresp está na internet.

Para ser bem sincera, eu não sabia. Eu não sabia que era tombado pelo Conpresp.

A Promotoria ainda afirma que não houve autorização para cortar a vegetação rasteira do bosque, que deu lugar a uma pista de cooper.

Não tinha vegetação rasteira, tinha mato. Tinha entulho de obra, porque aquilo era um lixão. Tinha fio, tinha concreto, tinha tijolo. Inclusive encontramos muitas seringas e camisinhas, um monte. Era um local degradado do parque, um ambiente que as pessoas usavam para fazer coisas ilícitas. A partir do momento que limpamos, encontramos 11 exemplares de pau-brasil. Não tinha vegetação de bosque da Mata Atlântica, como o MP falou, aquilo era um aviário antigamente. Na trilha não foi tirada nenhuma árvore.

As obras vão ficar para a próxima gestão?

A gente vai continuar vendo o que pode ser resolvido nessa gestão, e aí torcer para que a próxima gestão possa equacionar todas essas polêmicas.

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