'Não reagi ao assalto', diz ex-árbitro Oscar Roberto Godói

Internado desde quarta-feira, comentarista esportivo foi baleado três vezes; projétil ainda está alojado no pescoço

Plínio Delphino, Jornal da Tarde

23 Fevereiro 2011 | 13h00

SÃO PAULO - O ex-árbitro e comentarista esportivo Oscar Roberto Godói, de 55 anos, ainda tem dificuldades para falar por causa de uma bala alojada em seu pescoço. Mas, ontem, afirmou em entrevista por telefone ao Jornal da Tarde: "Eu não reagi ao assalto". Vítima de uma tentativa de roubo em Perdizes, zona oeste, na última quarta-feira, ele levou três tiros.

 

O primeiro atingiu sua barriga de raspão, um perfurou o pulmão e outro, o pescoço. Ele ficou na UTI do Hospital das Clínicas até segunda-feira, quando foi transferido para um quarto e já respira sem ajuda de aparelhos.

 

Godói disse que pretendia se render, mas foi surpreendido pelo criminoso. Ele ergueu as mãos, em sinal de que não dificultaria o roubo. Em seguida, tentou entregar as chaves do carro ao bandido.

 

Com a voz rouca e fraca e a respiração ainda ofegante, o ex-árbitro explicou o que fez. "Falei para o ladrão que as chaves estavam no bolso de trás da minha calça." Ao virar o corpo de lado para o criminoso, na tentativa de mostrar que pegaria as chaves na calça, Godói levou o primeiro tiro, que o atingiu de raspão na barriga. O ex-árbitro percebeu que poderia ser assassinado nesse momento e por isso tentou impedir o bandido de feri-lo.

 

Câmeras do circuito interno de um prédio da Rua Diana mostraram vítima e assaltante em luta corporal. Depois, as imagens registram Godói caído enquanto o criminoso fugia correndo. A polícia conseguiu mais imagens de câmeras na região e passou todo o final de semana levantando identidade de ladrões de carros que atuam naquela área.

 

O delegado Marco Aurélio Batista, titular da delegacia que investiga o crime, traçou o perfil de ladrões de carro de Perdizes e sabe que, na maioria das vezes, não agem sozinhos. Godói informou que a arma usada pelo bandido era um revólver calibre 38.

 

Crime. Faltava pouco para as 22h da última quarta-feira. Godói estava atrasado para uma reunião com colegas ligados ao esporte. Como não havia vagas para estacionar o carro, o ex-árbitro chegou a dar uma volta no quarteirão com seu Honda Civic preto. Depois, parou na Rua Diana, andou cerca de oito metros e foi atacado.

 

A polícia não descarta a possibilidade de Godói ter sido seguido pelo criminoso no quarteirão. "A região tem muitos prédios. A rua fica cheia de carros e pessoas à procura de vagas chamam atenção", analisou o delegado. Policiais do 23º DP (Perdizes) aguardam que os médicos deem alta ao ex-árbitro para que ele possa ajudar na elaboração de retrato falado feito em computação gráfica. Confiante na recuperação, Godói garantiu: "Está tudo bem!".

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