'Não queremos entrar para o governo'

Alguns grupos ainda procuram manter a autonomia, mesmo sabendo que podem ser considerados 'inimigos'

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2013 | 02h05

Elas não participam do programa, pelo menos por enquanto. Responsáveis por recentes ocupações de terrenos inutilizados ou prédios públicos da capital, a Rede Comunidades do Extremo Sul, do Grajaú, e a Casa Dez, de Heliópolis, estão fora da lista atual de contemplados do Minha Casa Minha Vida Entidades. No primeiro caso, a exclusão é proposital. "Conhecemos, mas não temos interesse em participar. Não queremos entrar para o governo nem ter nossos atos públicos limitados", diz Gustavo Moura, um dos coordenadores.

Criada em uma região onde vivem mais de 400 mil pessoas, a Rede se classifica como um movimento popular que propõe a organização autônoma da população da periferia na defesa de seus direitos. Um deles é a moradia digna. "Queremos ter voz, mas mantendo nosso padrão apartidário, mesmo sabendo que essa posição pode nos colocar como inimigos do governo", diz Moura, que participou na semana passada da ocupação do prédio da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo.

A Casa Dez é comanda por um ex-filiado ao PT. Paulo Roberto Nunes Viana se desligou do partido em 2008, quando se aproximou da gestão de Gilberto Kassab (PSD). "O Paulo Teixeira (deputado federal pelo PT) nos ajudava, mas quis fazer casa para a gente em Guaianases, que é muito longe daqui. Acabamos rompendo", explica.

De lá pra cá, Nunes conseguiu, com o apoio de Kassab e do governo federal, levantar um conjunto habitacional em Heliópolis e hoje briga pela aprovação de mais dois projetos no Minha Casa Minha Vida Entidades. "Eles vão favorecer 760 famílias, mas está difícil vencer a burocracia e liberar a verba", diz.

Viana foi indicado em agosto como membro da Comissão Eleitoral do Conselho Municipal da Habitação. E, assim como as demais entidades, quer participar do processo de seleção das famílias que serão contempladas com as moradias prometidas por Haddad. A meta é entregar 55 mil até 2016.

Contra ocupações. Algumas entidades gestoras de verbas do Minha Casa Minha Vida, porém, discordam da onda de invasões realizadas na cidade nos últimos meses. João Alexandre da Silva, da Associação dos Mutuários e Moradores da Cohab 1, que teve liberados R$ 14,82 milhões para a construção de casas próprias na zona norte, é contra as invasões.

"Não existe mais motivo para se fazer ocupação em São Paulo, já temos esse programa do governo que contempla a baixa renda. O programa é bom demais", elogiou Silva, filiado ao PT desde 1988. "Na entidade, não existe essa de partido. Todos têm direitos iguais."

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