''Não permitam retrocessos'', diz Lula no Alemão

Na inauguração do teleférico, presidente ouviu da comunidade críticas à atuação da polícia no Complexo

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2010 | 00h00

O ambiente na manhã de ontem no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, era festivo, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas moradores driblaram o protocolo para apontar ao visitante ilustre problemas longe de serem resolvidos.

Após o choque de "vida real", em discurso, Lula dirigiu-se ao governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e outras autoridades. "Não permitam, pelo amor de Deus, que haja um retrocesso. Aqui veio a polícia, veio UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), veio teleférico. Agora tem de vir escola, tem de vir creche, tem de vir cultura, tem de vir emprego, tem de vir escola profissional."

Foi a sexta visita do presidente ao Alemão, agora para o teste do teleférico que será inaugurado em março. Lula embarcou na Estação de Bonsucesso e desceu no Morro da Baiana, onde permaneceu por duas horas.

Insegurança. Além de abusos cometidos por policiais, integrantes do grupo Mulheres da Paz relataram a situação preocupante vivida por jovens que continuam no Alemão, mas eram próximos dos traficantes. A principal reivindicação é por programas sociais e medidas de segurança para garantir a paz.

Os relatos são de um ambiente ainda inseguro e dúvidas sobre o futuro da comunidade. Segundo moradores, a polícia e o Exército estão apenas na entrada do Complexo e, ao contrário dos PMs que atuam nas UPPs, não têm treinamento para integração com os moradores.

"Muita gente teve casa arrombada, imóveis quebrados", disse Anatália dos Santos, de Itararé, ao pedir segurança. A artesã Hanna Oliveira, da Fazendinha, pediu um programa de prevenção ao uso de drogas e assistência aos dependentes. "Muitos têm síndrome de abstinência, agridem parentes, e não se sabe como lidar com isso."

O supervisor do Programa Nacional de Segurança com Cidadania no Alemão, Ricardo Reis, contou que muitos traficantes têm telefonado para moradores "e mandado recado de que vão voltar e matar muita gente quando a situação arrefecer".

A estudante de Pedagogia Jussara Raimundo, da Vila Cruzeiro, pediu ao presidente a construção de um centro de formação profissional. Para Lula, o povo só recusará a convivência com bandido ao perceber "que o poder público não é algo distante."

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