Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

'Não mudaremos a nossa postura', diz coronel agredido sobre diálogo com manifestantes

O oficial Reynaldo Simões Rossi, atacado durante o protesto de sexta-feira em São Paulo, defendeu a negociação com organizadores dos atos, mas pregou endurecimento com radicais

O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2013 | 10h04

SÃO PAULO - O coronel Reynaldo Simões Rossi, agredido durante a manifestação do Movimento Passe Livre na sexta-feira, 25, afirmou à Rádio Estadão nesta segunda-feira, 28, que não mudará a prática de dialogar com os organizadores dos atos. Ele defendeu a estratégia de tentar afastar a minoria de 'criminosos e vândalos', nas suas palavras, do restante da massa que participa dos protestos. "Nós não mudaremos a nossa postura", disse. "Há um conjunto de procedimentos operacionais que são adotados. Se, infelizmente, esses episódios de depredação e agressão acontecem, é justamente porque esses grupos se apropriam das manifestações legítimas".

Em meio à invasão do Terminal Parque D. Pedro II na sexta à noite, o coronel Rossi, chefe do Comando de Policiamento de Área Metropolitana 1 (CPAM1), foi cercado, espancado e acabou perdendo a arma e o rádio. Atingido por uma placa de ferro por manifestantes mascarados, o oficial sofreu fratura na escápula e submetido a uma tomografia no Hospital das Clínicas, de onde saiu no sábado após receber alta.

Integrantes da Polícia Militar chegaram a chamar os agressores de "bando de criminosos". O governador Geraldo Alckmin e a presidente Dilma Rousseff também repudiaram as agressões e os atos de vandalismo. Após a entrada a invasão, o Terminal Parque D. Pedro II ficou completamente destruído: ônibus, lojas, caixas eletrônicos e catracas foram depredados.

Sobre a responsabilidade de manter a tropa sob controle após ataques a PMs, o coronel Rossi disse que apenas seguiu normas da corporação. "Em todas as manifestações, independente do tema, os nosso pressupostos são garantir o livre direito de manifestação, tentar impedir ou minimizar o dano ao patrimônio e agressões a pessoas."

Recuperação. O coronel disse que seu diagnóstico 'foi favorável' e que deve se recuperar antes de alguns policiais que foram feridos em outros atos. "Quero frisar que quem foi ferido na sexta-feira não era um coronel, e sim mais um policial militar que estava representando o Estado".

Um dos acusados de agredi-lo, Paulo Henrique Santiago dos Santos, de 24 anos, foi identificado nas imagens feitas durante a agressão. Ele foi autuado e enviado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém. A ação causou revolta na cúpula da PM, que prometeu uma "resposta dura" aos black blocs.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou deste domingo, 27, que a lei deveria ser mais rígida com quem agride policiais. "Precisamos aperfeiçoar a legislação. Quem agride policial, que é um agente do Estado e está ali para trabalhar e defender a sociedade, deve ter a pena agravada. É inadmissível isso."

O coronel Rossi também defendeu o endurecimento das pena contra agressores de policiais. Ele propôs que os flagrados cometendo atos de vandalismo ou agressões sejam impedidos de participar de novos atos enquanto não são julgados. "Acho que temos que aperfeiçoar o conjunto legislativo atual. As agressões a policial militar, representante do Estado, bem como os episódios de depredação, têm uma punição extremamente branda, que poderia ser cumulada com algumas medidas restritivas."

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