'Não manter preso estimula o vandalismo', diz Alckmin

Governador, que não descarta participação do PCC em protesto, defende alterações na legislação para que crimes de danos ao patrimônio e agressão a policial tenham penas mais duras

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2013 | 13h48

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quarta-feira, 30, que defende penas mais duras para quem agride policiais e penas mais rígidas para casos de vandalismo, como os que ocorreram na segunda-feira na Rodovia Fernão Dias. As medidas serão levadas, segundo o tucano, pelo seu secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que se reúnem nesta quinta-feira, 31, em Brasília. "Nós não descartamos nenhuma hipótese", disse Alckmin sobre a suposta atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos protestos da zona norte.

"Duas propostas de alteração da legislação federal. Uma, para crime cometido contra o policial, que é um agente de Estado, de ele ser agravado, de a agressão ao policial. Hoje há muita violência na criminalidade. E a outra é para danos. O que está acontecendo? O crime para danos não mantém preso. Então, nós até conversamos com o presidente do Tribunal de Justiça, ontem fiz uma visita ao presidente, Ivan Sartori, para pedir também uma cooperação do Poder Judiciário, porque o fato de não manter preso estimula o vandalismo, estimula a impunidade", disse ele durante visita ao primeiro trem do monotrilho da Linha 15-Prata do Metrô, na Vila Prudente, na zona leste.

Alckmin também afirmou que é preciso haver mais vigilância por parte da Polícia Rodoviária Federal nas estradas perto de grandes centros urbanos, em referência aos protestos que paralisaram a Rodovia Fernão Dias no início desta semana, na zona norte de São Paulo.

Os protestos foram por causa da morte do estudante Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, no fim de semana, na região da Vila Medeiros, na zona norte. Ele levou um tiro de um policial militar e não resistiu. A abordagem policial, segundo testemunhas, foi truculenta e o jovem não apresentou nenhum tipo de resistência para ser baleado pelo PM.

"Em relação ao caso do Douglas," disse Alckmin, "nossa total solidariedade à família: a polícia já prendeu o policial que errou. A Corregedoria já agiu, ele já foi preso. Em relação ao que ocorreu na Fernão Dias, o própria família do Douglas falou que isso é coisa de pessoas que estão se aproveitando dessa tragédia. Nós prendemos 77 pessoas, solicitamos ao governo federal maior reforço nas rodovias federais: Fernão Dias, Dutra e Régis Bittencourt."

O tucano disse que a Rodovia Fernão Dias "só tinha quatro viaturas federais" para lidar com os protestos. Alckmin ainda não descartou o envolvimento de facções criminosas em parte dos atos de protesto contra a morte de Douglas.

 Na sexta-feira, 25, o coronel da PM Reynaldo Simões Rossi foi agredido, teve a escápula fraturada e a arma roubada durante manifestação.
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