'Não houve tiro antes da invasão', afirma Nayara à polícia

Menina é a principal testemunha do caso Eloá e prestou depoimento no hospital após receber alta médica

Bruno Tavares e Diego Zanchetta, de O Estado de S. Paulo,

23 de outubro de 2008 | 02h10

Testemunha ocular da tragédia do ABC, em seu primeiro depoimento após o assassinato de Eloá Cristina Pimentel, Nayara Rodrigues da Silva, de 15 anos, revelou na quarta-feira, 22, que ela e a amiga só foram baleadas por Lindemberg Alves depois que policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) detonaram os explosivos colados na porta do apartamento. O relato da adolescente diverge da versão apresentada pelo comando da Polícia Militar, de que a invasão só ocorreu porque o Gate ouviu um tiro vindo de dentro do cativeiro. Veja também:Perguntas e respostas sobre o caso Eloá Depoimento de Nayara após sair do apartamentoLindemberg sai do isolamento em Tremembé nesta quarta-feira Lindemberg diz que só atirou em Eloá após invasão da polícia PMs não são unânimes sobre tiro antes de invasão no caso Eloá Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá    Ela afirma "taxativamente", segundo a Polícia Civil, que os tiros ocorreram depois que a porta explodiu. Lindemberg, segundo a versão da Nayara, não deu nenhum tiro por volta das 18 horas. Ela (que estava no chão, em um colchonete, do lado direito de Eloá), relatou que ouviu uma explosão, teve um susto e ouviu dois tiros e não se lembra de mais nada", diz o diretor da seccional de Santo André, Luís Carlos dos Santos. "Teria ocorrido um disparo anterior, por volta das 15 ou 16 horas, para o alto, num ato de nervosismo. A Eloá teve uma crise e ele a controlou, na versão de Nayara", relatou Santos. Ele destacou que o inquérito segue na fase de recolhimento de provas e outras duas testemunhas, vizinhos do apartamento, foram ouvidas na terça à noite no 6º Distrito Policial e relataram "um estampido", como de um tiro, por volta das 18 horas. As versões, conflitantes, agora deverão passar pelo crivo do Instituto de Criminalística, que periciou o apartamento na CDHU Jardim Santo André. "Quanto à autoria do homicídio, isso não difere em nada. Foi Lindemberg quem atirou e matou Eloá", diz Santos. Quanto à investigação das ações do Gate, que é alvo de sindicância própria da Corregedoria da PM, o depoimento de Nayara deve reforçar as críticas à operação. Durante mais de quatro horas de depoimento, Nayara também esclareceu as circunstâncias de seu retorno ao apartamento. Disse ter sido procurada por PMs em sua casa na quinta-feira passada e, mesmo sem o aval dos pais, aceitou voltar ao Conjunto Habitacional do Jardim Santo André - ao contrário do que afirma a PM. Segundo o capitão Adriano Giovaninni, negociador do Gate, Nayara estava acompanhada pela mãe quando foi trazida por uma viatura policial até o prédio, onde recebeu orientações sobre como deveria agir. Antes da entrevista coletiva da Polícia Civil, Nayara apareceu pela primeira vez, depois de ser libertada do mais longo cárcere privado da história de São Paulo, segurando um bicho de pelúcia. Ela não falou com a imprensa.

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