TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Não há palavras para explicar o inexplicável

Crimes como o de Suzano angustiam pelas mortes de jovens, mas também pelo desejo nunca alcançado de se entender

Daniel Martins de Barros *, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2019 | 03h00

Pode ser redundante, mas não há palavras para explicar o inexplicável. Crimes como o de Suzano angustiam pelas mortes de jovens, mas também pelo desejo nunca alcançado de se entender.

Pesquisadores tentam criar tipologias, dividindo os tiroteios nas escolas em crimes de fúria, vingança, terroristas, assassinato em massa, mas não conseguem isolar os fatores para a ocorrência. Violência doméstica, bullying, esgarçamento de vínculos sociais, inserção em culturas de violência e clima de intolerância são fatores associados, mas não são capazes de explicar. O único fator necessário - embora também não suficiente - é o acesso a armas de fogo.

Há dois grandes problemas. Primeiro, é um crime muito particular, já que o assassino é também suicida. Evidente que o jovem que está feliz, ativo, inserido em sua comunidade, não opta por isso. Segundo, é o risco de acreditarmos que esse é o perigo para nossos jovens. Não é. Ataques em escola fizeram menos de 30 vítimas nos últimos anos no País. Segundo o Ipea, só em 2016 foram assassinados mil vezes mais jovens de 15 a 29 anos. Fora das escolas.

O foco de nossos esforços deveria estar nas estratégias de prevenção de suicídio. Todos querem uma explicação. Mas, como não conseguiremos, resta saber o que mais queremos de fato.

* É PSIQUIATRA

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