'Não há muito o que fazer', diz diretor do DAEE sobre ações imediatas na Vila Itaim

Para Ricardo Borsari, que esteve reunido com Haddad, uma solução é construir pôlder; obras foram prometidas para o próximo semestre

Ana Fernandes e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 16h30

SÃO PAULO - Convivendo com ruas e casas alagadas há quatro dias, os moradores da Vila Itaim, no extremo da zona leste, vão ter de esperar a água baixar por conta própria. O superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Ricardo Borsari, admitiu que "não há muitas ações que possam ser feitas" para resolver o problema das enchentes a curto prazo. Representando o Governo do Estado, ele esteve reunido com o prefeito Fernando Haddad (PT) nesta segunda-feira, 20, para discutir medidas voltados para combater os alagamentos, recorrentes na região.

Para Borsari, há apenas duas soluções contra os alagamentos em áreas de várzea, como a Vila Itaim: retirar as famílias do local ou construir um pôlder, uma espécie de dique que minimizaria o impacto do transbordamento do Rio Tietê. A obra já foi prometida em 2013, em uma parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado, mas não saiu do papel. Em 2009, uma série de enchentes havia deixado a região alagada por cerca de três meses. "Não sei precisar quanto tempo vai demorar para a abaixar a água desta vez. Mas nós vamos ter de conviver e apoiar a população nativa", diz Borsari.

O projeto básico do DAEE estima que cerca de 370 famílias são atingidas pelos alagamentos na Vila Itaim. "Na verdade, alí são vasos comunicantes, entre a rede de drenagem, que levam água para o rio. Quando o nível do rio está mais alto, a água acaba se estabelecendo no mesmo nível na parte das ruas", diz Borsari. "Quando você faz o pôlder, isola o rio e faz com que todas as águas da drenagem local sejam encaminhadas para o reservatório e depois bombeada de volta."

Com o retorno das enchentes na Vila Itaim, a Prefeitura chegou a instalar quatro bombas, com capacidade para drenar 80 l/s, além de dois caminhões de 10 mil litros para tentar escoar a água. A iniciativa, no entanto, não surtiu o efeito esperado e o nível do alagamento continuou descendo lentamente. A medida foi até criticada de forma indireta por Borsari. "A água abaixa muito devagar, não há como mudar esse processo. Eu não posso colocar uma bomba lá, jogando água no rio, porque o rio vai devolver. Seria inócuo", afirma.

As administrações municipal e estadual prometem continuar oferecendo assistência aos moradores para tentar minimizar os impactos das enchentes. Além de cesta básica, também são distribuídos materiais de limpeza, colchões e cobertores. "Se houver risco em alguma casa, a família também será removida", afirma o prefeito Fernando Haddad.

Licitação. Após a reunião, Borsari também anunciou que o Governo do Estado vai licitar a obra para a construção do pôlder até abril. A previsão é que a construção do dique se inicie no segundo semestre deste ano, com efeito de evitar alagamentos apenas para o próximo verão.

Orçada em R$ 63 milhões, a obra será feita pela com recursos de compensação ambiental da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), pela obra de ampliação da Marginal do Tietê, feita em 2010. "O convênio poderá ser firmado até dia 15 de março. A partir daí, o DAEE entra com a desapropriação das áreas e licitando a obra do pôlder", explicou Haddad. A obra também prevê a construção de uma ciclovia sobre a barragem, continuando o equipamento do Parque Ecológico do Tietê.

Questionado por que as construções não foram feitas antes, Borsari respondeu que os recursos da gestão estadual e da Prefeitura são limitados. Ele também criticou indiretamente a falta de fiscalização da ocupação de áreas de mananciais, que seria de responsabilidade do município. A ocupação da Vila Itaim foi regulamentada pelo governo municipal, que cobra Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) das residências na região.

Por sua vez, Haddad afirmou que só vai remover as famílias das áreas atingidas quando a empresa responsável pela obra do pôlder for contratada, para evitar que a área seja reocupada. "Nesse caso, você vai ter custos a mais desnecessariamente", diz.

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