'Não há mais como calcular a viagem'

No Rio e Salvador, sobram críticas a coletivos

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2012 | 03h01

O trânsito nas capitais prejudica também quem usa o transporte púbico. Quando começou a trabalhar no centro do Rio, em 2001, o bancário Jerônimo de Castro, de 53 anos, fazia o trajeto entre casa e trabalho de ônibus. Gastava 50 minutos. Conforme o trânsito foi piorando, passou a buscar alternativas e, hoje, a viagem mais rápida demora 1h20 - ele pega ônibus, trem e metrô.

"Se eu pegasse o mesmo ônibus, levaria mais de duas horas para chegar", conta.

Além do cansaço da baldeação, tem o custo. Castro gasta R$ 14, ida e volta. O ônibus direto sairia por R$ 5,50. "O trânsito mudou muito. Você não sabe mais calcular quanto tempo vai levar. E mesmo pegar trem e metrô é uma aventura. Toda hora tem um acidente, um atraso."

O mesmo acontece em Salvador. Sem alternativas de transporte sobre trilhos - o metrô, de apenas 6 quilômetros, está sendo construído há 12 anos -, com uma rede pequena de ciclovias, um sistema de ônibus coletivos considerado desconfortável e caro e sem grandes investimentos no sistema viário, o trânsito da capital mais populosa do Nordeste "travou" nos últimos anos.

Segundo dados da Superintendência de Trânsito e Transporte da cidade (Transalvador), a via mais movimentada da capital, a Avenida Paralela, de 16 quilômetros, tinha volume médio diário de 87 mil veículos. Hoje, esse número saltou para 125 mil carros por dia. Nos horários de pico, a velocidade média se aproxima de zero nas extremidades da via, cujo limite é de 80 km/h. /CLARISSA THOMÉ, HELOISA ARUTH STURM e TIAGO DÉCIMO

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