'Não existe um enredo ruim, basta desenvolvê-lo bem'

Não faltam homenagens, abstrações e excessos, mas até nisso a Beija-Flor destoa, bancada por um ditador de país africano

RIO, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2015 | 02h01

A safra de enredos deste ano tem as categorias habituais. Os temas tradicionais, caso das homenagens a personalidades e lugares; os abstratos, que muitas vezes carecem de legenda para que o espectador compreenda o desfile; e os inusitados (por vezes, bizarros), que exigem dose extra de criatividade dos carnavalescos. A máxima de que "não existe enredo ruim, basta desenvolvê-lo bem" é repetida em todos os barracões.

Na noite de hoje, Viradouro, Mangueira, Vila e Salgueiro buscam emocionar ao louvar, respectivamente, o compositor Luiz Carlos da Vila (1949- 2008), a mulher brasileira e mangueirense, o maestro Isaac Karabtchevsky e a culinária de Minas Gerais.

A Mocidade aposta na liberdade e na loucura para imaginar o que o folião faria se só tivesse mais um dia no mundo pré-juízo final.

"A Grande Rio é do baralho", enredo da escola de Duque de Caxias, um tema que causou estranhamento, mas o carnavalesco, Fábio Ricardo, que deseja desenvolvê-lo há sete anos, acredita que ele tem tudo a ver com o carnaval. "É exótico, diferente, tem muitos simbolismos", diz.

Amanhã, virão três enredos geográficos. A Portela passeará por pontos turísticos do Rio para falar do "Rio surreal" que nasceria da imaginação do artista espanhol Salvador Dalí (1904-1989) em uma visita à cidade. A Imperatriz vai à África de Nelson Mandela. A Unidos da Tijuca fala da Suíça e do museólogo Clóvis Bornay (1916-2005), ícone dos antigos desfiles de fantasias de luxo, cujo pai nasceu naquele país.

A São Clemente, neste ano com a renomada Rosa Magalhães, viaja ao passado para recriar desfiles do carnavalesco Fernando Pamplona (1926- 2013), grande nome da festa carioca nos anos 1960 e 1970. Abstrato, o enredo da União da Ilha, "Beleza pura?", parte das cores da natureza, cita contos de fada e chega à obsessão atual pelas selfies.

Ditadura como apoio. Mas é da Beija-Flor a bizarrice do ano na Sapucaí: a homenagem à Guiné Equatorial, governada por um ditador violento, que está bancando grande parte do desfile em troca da promoção turística do país.

"A gente vai apresentar para o mundo esse país cheio de belezas, que muita gente nem sabe que está no mapa", justifica a pesquisadora da escola, Bianca Behrends. / R.P.

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