'Não é todo mundo que faz o trabalho'

Hélia Oliveira, de 49 anos, trabalha na Cooperativa Cooperação há oito anos. "Entrei para fazer triagem e fui me inteirando, vendo como funciona, passei em todos os setores", conta.

O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2013 | 02h02

Hoje, ela trabalha na administração da central. E afirma que fica cada vez mais difícil encontrar gente disposta a fazer o serviço de triagem. "É um trabalho pesado, difícil, não é todo mundo que está disposto", diz.

Com rendimento de um salário mínimo, muitas pessoas que trabalhavam no setor migraram para áreas mais bem remuneradas, como a construção civil.

Para quem permanece trabalhando com reciclagem, trabalho não falta. Segundo ela, além de receber o material das concessionárias, a central também faz coleta nas regiões da Lapa, Vila Leopoldina e Perdizes.

Apesar de a cooperativa dela não ter parado no fim do ano, o trabalho está atrasado e, estima ela, só deve ser normalizado a partir de março. "Em locais que o lixo é coletado toda semana, fizemos a cada 15, 20 dias", diz.

Algumas vezes os caminhões das concessionárias acabam sendo rejeitados. "Quando chegam com mais de 4 mil toneladas compactadas, não aceitamos, porque não tem serventia para reciclagem", afirma.

Pela lei, a reciclagem de lixo da cidade deve obrigatoriamente passar pelas centrais. Por ser socioambiental, não pode ser feita por empresas.

Está prevista a construção de mais 11 centrais de triagem, segundo a Prefeitura.

Demanda. O vice-presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos (ABLT), João Gianesi, afirma que o problema do setor é que as cooperativas foram estimuladas, mas não as empresas de reciclagem. "Se a indústria recicladora tivesse sido fomentada, haveria demanda constante", diz Gianesi./A.R.

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