Não é hora de ficar em casa. É hora de participar do debate

Análise: Ligia Rechenberg

É COORDENADORA DE ANÁLISE DE DADOS DO , INSTITUTO SOU DA PAZ, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h03

Arrastões em restaurantes são motivo de preocupação, mas não de pânico. Estatísticas da Secretaria de Segurança Pública revelam que estamos longe dos patamares de 2008 ou 2009, quando alguns crimes atingiram pico da década. Isso não significa que estamos em uma situação ideal, pelo contrário. Furtos, sequestros relâmpagos e outras modalidades de roubo além dos arrastões têm, de fato, crescido.

O medo não pode nos paralisar: é hora de exigirmos mais investimento em inteligência, transparência e prestação de contas das autoridades. Em vez de ficarmos acuados em casa, isolados e sem possibilidade de desfrutar da cidade, ou esperando que mudanças na lei resolvam o problema, precisamos nos envolver no debate das políticas de segurança.

Ações eficazes de prevenção e repressão ao crime dependem de bons diagnósticos. E bons diagnósticos dependem, de um lado, das informações que podemos prestar à polícia. As vítimas precisam registrar a ocorrência, para que se possa mapear os tipos de crimes mais comuns. Por outro lado, a polícia precisa estar mais preparada e comprometida para realizar um trabalho investigativo que lhe permita desvendar as dinâmicas de cada modalidade criminosa.

Muitas vezes, o que estimula alguém a cometer um crime é saber que não será descoberto. Será o caso de São Paulo? Quantos crimes são esclarecidos? Em quanto tempo? Qual o perfil dos presos? Investimos recursos para prender quem oferece risco? Infelizmente, não temos informações para responder a essas questões, o que contribui para o medo. Por isso, a importância da prestação de contas: se soubermos o que tem sido feito, poderemos construir políticas mais eficazes e talvez nos sentir mais tranquilos.

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