Não é histórico, mas fará muito sucesso

Você pode tirar a banda de uma fórmula, mas não pode tirar a fórmula de dentro da banda. Essa é a lição que a gente parece aprender com Mylo Xyloto (diz-se Mailo Zailoto), o novo álbum do Coldplay, que será lançado em 24 de outubro pela EMI. O Estado ouviu o álbum antes de uma entrevista com Chris Martin e Jonny Buckland, do Coldplay.

O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2011 | 03h03

Brian Eno tentou tirar os vícios do Coldplay com Viva la Vida, de 2008, e até previu que eles teriam de continuar seu trabalho no disco seguinte. Por isso, o mago dos estúdios é uma espécie de consultor de luxo desse novo álbum.

Vamos ao disco. As baladas mais pegajosas (Chris Martin, o vocalista, tem mão ótima para isso) são Paradise e Up in Flames. Aceleradinha e dançante, Hurts like Heaven tem potencial de pista se remixada. Every Teardrop is a Waterfall é a típica balada pianinho de Martin, feita de crescendos e uma guitarra que lembra gaitas de fole escocesas. Infalível.

Martin, que reivindica um disco conceitual, cujo arcabouço é uma história de amor, se arrisca em dizer que a banda buscou o sentimento de uma gravação ao vivo. De fato. Mas nem sempre isso é garantia de qualidade. Ele assume também influências de Leonard Cohen ("Ele realmente me toca", disse) e de uma música mais experimental.

A música mais bonita é a folk song Us Against the World, um ensaio de canção geracional, inspirada por Bob Dylan. Martin vai de violão em U.F.O. e de protoeletrônica em Princess of China (música descolada de uma costela de Peter Gabriel, com vocais de Rihanna). "Gosto de tocar meus beats", disse ao Estado, esclarecendo que não quis fazer o Coldplay entrar numa praia que não era a sua, mas sim trazer um sabor de outro oceano para o seu.

Com Charlie Brown, Martin fala de um sentimento de "tentar achar coisas positivas em ambientes negativos", e se arrisca mais adiante numa canção pacifista, com o verso "não quero ver a queda de outra geração", sobre os garotos que as potências mandam para a frente de batalha. Numa coleção de 14 canções, se você tem três canções ótimas, é preciso admitir que se está diante de um bom disco. Mylo Xyloto (nome que não quer dizer nada, foi inventado por capricho do vocalista) tem três grandes canções pop, o que não é novidade em disco do Coldplay. Ainda assim, não é um disco histórico na carreira da banda - embora digam que poderá ser o último.

Crítica: Jotabê Medeiros

JJJJ ÓTIMO

JJJ BOM

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